ABDE debate soberania tecnológica e energética na 56ª assembleia da ALIDE

Reunião realizada no Paraguai envolveu minerais críticos, transição energética, fundos soberanos e os desafios de financiar desenvolvimento em realidades distintas da região Em meio à disputa global por tecnologia, minerais estratégicos, energia e capacidade produtiva, bancos de desenvolvimento da América Latina e Caribe colocaram no centro do debate um tema cada vez mais sensível para o futuro econômico da região: a soberania tecnológica e energética. O assunto foi um dos destaques da 56ª Assembleia Geral da Associação Latino-Americana de Instituições Financeiras para o Desenvolvimento (ALIDE), realizada nesta quarta-feira (20), em Assunção, no Paraguai, durante a sessão “Soberania Tecnológica e Energética na América Latina no Contexto Atual”, organizada pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) em parceria com a entidade latino-americana. Moderado pelo diretor-executivo da ABDE, André Godoy, o painel mostrou como a disputa global por minerais críticos, tecnologia e energia vem reposicionando o papel dos bancos de desenvolvimento. O diretor executivo destacou que a América Latina reúne ativos importantes — como biodiversidade, potencial energético, capacidade mineral e experiência institucional —, mas ainda enfrenta o desafio de transformar essas vantagens em desenvolvimento sustentável, inovação e maior agregação de valor para a própria região. “Hoje, discutir soberania tecnológica e energética é discutir a capacidade da América Latina de decidir sobre o próprio futuro produtivo. A região possui recursos estratégicos, conhecimento e potencial energético relevantes, mas precisa fortalecer instrumentos financeiros, ampliar investimentos de longo prazo e criar condições para transformar esses ativos em desenvolvimento, inovação e competitividade regional”, afirmou André Godoy. A discussão também reuniu a diretora de Pessoas, TI e Operações do BNDES, Helena Tenório; o diretor executivo da Fórum de Fundos Soberanos Brasileiros (FFSB), Leandro Ferreira; o diretor de Crédito do Banco da Amazônia, Roberto Schwartz; e o gerente de Captação Externa do BDMG, Gustavo Amaral. Durante a primeira rodada do painel, os participantes apresentaram uma visão macro dos desafios enfrentados pela região diante da nova dinâmica internacional. A diretora do BNDES ressaltou iniciativas voltadas ao fortalecimento da capacidade produtiva e tecnológica brasileira, incluindo os programas Brasil Soberano I e II, estruturados para apoiar setores estratégicos ligados à indústria, inovação, energia e infraestrutura. A discussão avançou sobre o papel dos minerais críticos e das chamadas terras raras na nova economia global. Representando o BDMG, Gustavo Amaral destacou a posição estratégica de Minas Gerais nesse cenário, em razão da forte vocação mineral do estado e da crescente demanda internacional por insumos essenciais à transição energética e às novas tecnologias. Outro eixo relevante do debate foi o papel dos fundos soberanos e dos instrumentos financeiros híbridos no financiamento da transformação produtiva. Leandro Ferreira apresentou experiências internacionais de fundos voltados à inovação, energia e descarbonização, citando modelos adotados em países como a Noruega e experiências em desenvolvimento no Brasil. A dimensão territorial da transição energética também ganhou destaque na fala do Banco da Amazônia. Roberto Schwartz chamou atenção para a complexidade da Amazônia e para a necessidade de soluções específicas para a região, tanto do ponto de vista financeiro quanto operacional. Segundo ele, modelos aplicados em outras localidades nem sempre funcionam na realidade amazônica, marcada por enormes distâncias geográficas, baixa densidade logística e desafios de infraestrutura.

ABDE destaca papel estratégico do financiamento climático para municípios em evento da ABM em Brasília

Evento reuniu municípios, instituições financeiras e Governo Federal para discutir estratégias de financiamento climático e adaptação das cidades aos eventos extremos Representantes de municípios de diferentes regiões do país, instituições financeiras de desenvolvimento e integrantes do Governo Federal se reuniram nesta quarta-feira (20), em Brasília, para discutir o fortalecimento das cidades brasileiras frente aos impactos das mudanças climáticas. Promovido pela Associação Brasileira de Municípios (ABM), o encontro “Agenda Climática Municipal: entre desafios e oportunidades de financiamento” colocou em pauta a necessidade de ampliar o acesso das prefeituras a crédito, planejamento e instrumentos voltados à adaptação climática e ao enfrentamento de eventos extremos. A presidenta da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) e diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Maria Fernanda Coelho, destacou a importância da aproximação entre a ABM e o Sistema Nacional de Fomento (SNF) justamente pela complementaridade da atuação das duas entidades nesse segmento. “A atuação da ABM, que representa os municípios brasileiros — especialmente os de pequeno porte —, é fundamental na articulação de ideias, propostas e projetos capazes de responder a um dos maiores desafios enfrentados hoje pelas cidades: os eventos extremos e as mudanças climáticas”, disse. “Nós, da ABDE, também temos esse compromisso. O nosso sistema reúne 35 instituições financeiras e responde por mais de 90% de todo o crédito destinado aos municípios brasileiros. Isso demonstra o compromisso do Sistema Nacional de Fomento em garantir que as cidades tenham acesso a crédito, financiamento e instrumentos financeiros adequados para enfrentar esses desafios. Por isso, é muito importante a parceria entre essas duas instituições”, completou. Maria Fernanda detalhou, ainda, que 98% do financiamento ao setor público no Brasil passa pelo Sistema Nacional de Fomento, que também responde por 84% do financiamento à infraestrutura, 74% do crédito de longo prazo e 65% do crédito rural. Entre as medidas para ampliar a capacidade de resposta dos municípios, Maria Fernanda Coelho citou que a ABDE tem mantido o diálogo com órgãos reguladores para criar condições diferenciadas de acesso ao crédito em situações emergenciais. Outro ponto defendido pela presidenta foi o fortalecimento de projetos ligados às chamadas soluções baseadas na natureza (SBNs). Além disso, um estudo promovido pela ABDE aponta potencial de ampliação dos financiamentos voltados às cidades brasileiras. “Nossa estimativa é que seja possível aumentar em R$ 27 bilhões diversas linhas de financiamento para que os municípios possam ter uma resposta adequada aos eventos extremos”, afirmou. O encontro da ABM integrou o programa Mutirão Brasil, iniciativa coordenada pela C40 Cities e pelo Global Covenant of Mayors for Climate and Energy, voltada à aceleração da ação climática no país. Também presente no evento, o diretor executivo da ABM, Eduardo Tadeu, defendeu maior integração entre municípios, instituições financeiras e Governo Federal para acelerar a implementação da agenda climática nas cidades brasileiras. Segundo ele, fortalecer instrumentos de adaptação climática e ampliar a capacidade de planejamento dos municípios será fundamental para enfrentar os impactos cada vez mais frequentes dos eventos extremos no país.

Seminário no Rio debate caminhos para a transição verde na indústria brasileira

A Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), em parceria com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e o Cambridge Centre for Industrial Innovation Policy, com apoio da Open Society Foundations, promoveu nesta terça-feira (29), no escritório da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), no Rio de Janeiro/RJ, o seminário “Transição Verde na Indústria – Um balanço dos resultados iniciais” A iniciativa integra o Projeto Transição Verde na Indústria (TVI) e reuniu representantes de instituições públicas e financeiras, especialistas do meio acadêmico e organizações engajadas na agenda ambiental. O objetivo foi discutir caminhos para impulsionar a transição verde no setor industrial brasileiro, com ênfase em financiamento, inovação e cooperação institucional. financiamento, inovação e cooperação institucional.  A abertura contou com a participação do assessor da Presidência da FINEP, Mariano Laplane; do diretor de Projetos Estratégicos e Relações Internacionais, Caetano Penna; do representante do Cambridge Centre for Industrial Innovation Policy (CIIP), Mateus Labrunie; e do economista-chefe da ABDE, Eduardo Djanikian, que destacaram a importância da articulação entre diferentes atores para acelerar a agenda de sustentabilidade no país. Ao longo da programação, especialistas como Francisco Pereira, Caroline Pereira, Luiz Augusto Horta Nogueira, Patrick Gomes, João Abbud e Henrique Vasquez participaram dos painéis, contribuindo com análises e propostas voltadas à promoção de uma indústria mais sustentável e competitiva. O seminário reforça a relevância do debate sobre a transição verde no Brasil e evidencia o papel estratégico da cooperação entre instituições públicas, setor financeiro e academia para viabilizar soluções de longo prazo. Foto: Daniel Lebre

Inscrições abertas para o Prêmio ABDE-BID 2026

Iniciativa estimula produção acadêmica sobre financiamento ao desenvolvimento; prazo de envio de artigos vai até 31 de julho A Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) lançou, nesta quarta-feira (1), o edital da 12ª edição do Prêmio ABDE-BID de Artigos de Desenvolvimento, iniciativa que busca estimular a produção de conhecimento e o debate qualificado sobre os desafios do desenvolvimento sustentável no Brasil. Promovido em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (Sistema OCB), o prêmio envolve academia, setor público, instituições financeiras e demais atores no debate sobre financiamento ao desenvolvimento. Ao longo das 11 edições anteriores, o prêmio já recebeu 422 artigos científicos, consolidando-se como uma das principais iniciativas voltadas à reflexão sobre o financiamento ao desenvolvimento no país. “O prêmio é uma forma de fomentar a produção e a disseminação de conhecimento sobre o financiamento ao desenvolvimento sustentável e justo, fortalecendo o papel do Sistema Nacional de Fomento como agente estratégico para o desenvolvimento brasileiro”, afirma a presidenta da ABDE e diretora do BNDES, Maria Fernanda Coelho, durante o lançamento, que ocorreu durante o Fórum de Desenvolvimento realizado pela ABDE em Brasília. Durante o evento, também foi entregue o livro intitulado “Prêmio ABDE-BID, Edição 2025”, onde estão os trabalhos apresentados na edição anterior. A representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Annette Kilmer, destacou que a ideia é atrair a pesquisa aplicada para ampliação de conhecimento. “Neste ano, teremos três categorias: a primeira, Financiamento ao Desenvolvimento Sustentável, Inclusivo e Inovador; a segunda, Soluções Baseadas na Natureza para Adaptação Urbana; e a terceira, Sistema OCB: desenvolvimento e cooperativismo de crédito”, enumerou. “Queremos saber dos pesquisadores, das instituições e organizações de pesquisa quais cases eles têm trabalhado, especialmente, com esse olhar de ajudar na inovação, na experimentação e na aprendizagem, para que cada vez possamos acertar melhor e apoiar o desenvolvimento no Brasil”, finalizou. As inscrições estão abertas de 1º de abril a 31 de julho de 2026. Os artigos devem abordar a experiência brasileira, podendo incluir referências internacionais, especialmente da América Latina e Caribe. Os trabalhos poderão ser submetidos de forma individual ou em grupo, com até quatro autores. A avaliação será feita por uma comissão julgadora independente com base em critérios como relevância do tema, metodologia, resultados e qualidade da redação. Além do reconhecimento acadêmico, os vencedores receberão premiação em dinheiro — R$ 8 mil para o primeiro lugar e R$ 4 mil para o segundo em cada categoria — além de certificados. Os trabalhos selecionados poderão ser publicados pela ABDE, contribuindo para a disseminação do conhecimento produzido. O cronograma do edital prevê ainda o período de avaliação dos trabalhos entre agosto e outubro, com divulgação dos vencedores em novembro e cerimônia de premiação em dezembro. A organização destaca que as datas podem ser alteradas conforme necessário, com atualizações a serem divulgadas no site da ABDE. ServiçoPrêmio ABDE-BID 2026 – 12ª ediçãoInscrições: de 1º de abril a 31 de julho de 2026Quem pode participar: autores individuais ou grupos de até quatro pessoasCategorias:

ABDE lança Agenda Legislativa 2026 com 41 propostas voltadas ao financiamento no Brasil

Documento apresentado na Câmara dos Deputados tem mira em pautas como crédito à exportação, defesa dos fundos públicos, inovação e cidades resilientes A Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) e a Frente Parlamentar Mista de Apoio ao Sistema Nacional de Fomento (FPSNF) lançaram, nesta terça-feira (7), na Câmara dos Deputados, a Agenda Legislativa 2026. O documento consolida 41 propostas voltadas ao fortalecimento do crédito e à promoção do desenvolvimento sustentável no país, com foco na ampliação do financiamento de longo prazo para áreas estratégicas da economia, no âmbito do Sistema Nacional de Fomento (SNF). A Agenda Legislativa 2026 reúne proposições organizadas em eixos estratégicos, como crédito à exportação, desenvolvimento regional, defesa dos fundos públicos, fomento à inovação, neoindustrialização, títulos de crédito e cidades resilientes. A estrutura do documento busca orientar a atuação legislativa em temas considerados centrais para o crescimento econômico com inclusão social e sustentabilidade. O lançamento, realizado no Plenário 16, reuniu parlamentares, dirigentes de instituições financeiras e representantes do setor de fomento, em um movimento de articulação institucional que reforça o papel do Congresso Nacional na construção de políticas públicas estruturantes. A iniciativa consolida a atuação conjunta entre a ABDE e a Frente Parlamentar, criada em 2023 com a adesão de 193 deputados e 15 senadores, com o objetivo de defender instrumentos de financiamento, promover a descentralização do crédito e viabilizar investimentos em diferentes regiões do país. A Frente é coordenada externamente pela ABDE. Presidente da Frente Parlamentar, a deputada federal Luisa Canziani (PSD-PR) destacou a relevância do Sistema Nacional de Fomento na estrutura econômica do país. “O Sistema Nacional de Fomento desempenha um papel estratégico ao incentivar setores essenciais da economia brasileira. É formado, portanto, por 35 instituições financeiras de fomento articuladas pela ABDE”, afirmou. Segundo ela, a atuação conjunta entre a Frente e a Associação tem contribuído para avanços importantes, como a criação da Letra de Crédito do Desenvolvimento (LCD), do programa Mover e do Brasil Semicondutores, além do fortalecimento do Fungetur, do programa Acredita e da ampliação da participação da União no FGO. A parlamentar também destacou a recente aprovação da Lei nº 15.359/2026, que moderniza o sistema de crédito à exportação no Brasil. Entre as propostas priorizadas na Agenda Legislativa 2026 estão iniciativas voltadas ao fortalecimento do crédito à exportação, à criação e modernização de instrumentos financeiros sustentáveis, ao estímulo à inovação e ao desenvolvimento regional, além do aprimoramento dos mecanismos de financiamento de longo prazo — considerados essenciais para ampliar a competitividade do país e viabilizar investimentos estruturantes. O documento também reforça a importância do Sistema Nacional de Fomento (SNF), considerada estratégica para ampliar o acesso ao crédito, reduzir desigualdades regionais e impulsionar setores como infraestrutura, inovação e micro e pequenas empresas. Nos últimos anos, a atuação institucional da ABDE no Congresso Nacional tem apresentado resultados concretos. A entidade alcançou cerca de 63% de êxito em projetos legislativos voltados ao desenvolvimento, com impacto direto na vida da população. Entre os avanços estão medidas para mitigar os efeitos do tarifaço, contribuições relevantes na implementação da Reforma Tributária e a liberação de R$ 22 bilhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Durante o evento, o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PODE-PR) ressaltou os desafios estruturais do país e o papel do sistema de fomento nesse contexto. “Embora já existam vários fundos, nenhum é tão consistente a ponto de ter como meta complementar todas as necessidades do país. Outra questão futura é como pacificar essa imensa dívida que empresas e pessoas físicas têm no país. Como garantir o crédito? Como recuperar esse crédito? Como alavancar novas operações? O SNF tem um papel estratégico fundamental no futuro do nosso país”, afirmou. A diretora da ABDE e presidenta da Agência de Fomento do Rio Grande do Norte, Márcia Maia, destacou a importância da agenda diante do cenário econômico global e nacional. “Os desafios da atual conjuntura, como as mudanças climáticas, as assimetrias regionais e as tensões geopolíticas, exigem soluções e instrumentos cada vez mais arrojados. Nesse esforço, o Congresso Nacional assume um papel indispensável. Esta Agenda Legislativa representa um instrumento essencial para alinhar esforços e garantir as bases normativas para políticas públicas eficientes”, disse. Ela também ressaltou que a agenda estrutura nove temas estratégicos e 41 proposições, organizando prioridades que orientam a atuação institucional da Frente no Congresso Nacional. Segundo Márcia, mais do que listar pautas, o documento aponta caminhos para fortalecer o ambiente de negócios, ampliar o acesso ao crédito, estimular a inovação e reduzir desigualdades regionais, além de reforçar o papel dos fundos públicos como instrumentos centrais de financiamento de longo prazo. “Aproveito para destacar que, no Rio Grande do Norte, temos feito um esforço importante para fortalecer o empreendedorismo feminino. Inclusive, criamos uma linha de crédito específica para mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, considerando que a dependência econômica do agressor é um dos principais entraves para a ruptura desse ciclo. A autonomia econômica é fundamental para que a mulher seja protagonista da própria história”, finalizou. Confira a agenda legislativa completa em aqui.

Autoridades defendem fortalecimento dos fundos públicos em fórum em Brasília

Evento promovido pela ABDE e pelo Banco do Brasil segue até esta quinta-feira (2) e reúne especialistas e representantes dos setores público e privado Fundamentais para viabilizar investimentos em áreas estratégicas e enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, os fundos públicos e o crédito de longo prazo ganharam centralidade na abertura da 11ª edição do Fórum do Desenvolvimento, nesta quarta-feira (1º), em Brasília. Promovido pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) e pelo Banco do Brasil (BB), com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e patrocínio da Cooperação Alemã (GIZ), o encontro que segue até quinta-feira (2) reúne autoridades e especialistas que debatem sobre a modernização dos instrumentos de financiamento em um cenário de crescente desenvolvimento sustentável. A presidenta da ABDE e diretora do BNDES, Maria Fernanda Coelho, iniciou sua fala destacando que o financiamento estruturante continua sendo um dos principais desafios do país. Segundo ela, é necessário avançar na criação de instrumentos mais eficazes e inovadores, capazes de responder às demandas atuais, especialmente diante da intensificação dos eventos climáticos extremos. A dirigente ressaltou que a agenda da entidade está concentrada em dois eixos principais: o fortalecimento das cidades sustentáveis — com foco em mobilidade, saneamento e moradia — e o aprimoramento dos fundos públicos como instrumentos estratégicos de desenvolvimento. “Esses fundos permitem maior transparência, focalização e acompanhamento social, sendo essenciais para dar respostas rápidas a situações críticas, como as enchentes no Rio Grande do Sul”, afirmou. A presidenta também anunciou uma série de iniciativas voltadas ao fortalecimento do Sistema Nacional de Fomento (SNF). Entre elas, o Prêmio ABDE-BID 2026, realizado em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que chega à sua 12ª edição com o objetivo de estimular estudos e aproximar academia, setor público e iniciativa privada. Outro destaque foi o lançamento do Selo FGO, voltado a incentivar boas práticas, ampliar a transparência e qualificar a aplicação dos recursos relacionado ao Fundo de Garantia de Operações (FGO). Maria Fernanda anunciou ainda a criação do Observatório do Crédito para o Desenvolvimento, plataforma que pretende consolidar dados e análises sobre o uso do crédito no país, ampliando a compreensão dos impactos desses recursos na economia e na vida das famílias, das empresas e das cidades brasileiras. O vice-presidente de Negócios Governo e Sustentabilidade Empresarial do Banco do Brasil, José Ricardo Sasseron, reforçou que o cenário global de incertezas — marcado por conflitos geopolíticos e pela emergência climática — exige uma reorientação estratégica dos instrumentos de financiamento. Ele destacou que o Sistema Nacional de Fomento (SNF) reúne atualmente 35 instituições e responde por cerca de 70% do crédito para investimento no país, modelo que foi fundamental para a consolidação da economia nacional. “É essencial manter e aprimorar esse sistema, direcionando recursos também para novas agendas, como a transição climática”, afirmou. Sasseron enfatizou ainda o papel histórico dos fundos públicos e híbridos no desenvolvimento do país, citando instrumentos como o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO). Segundo ele, iniciativas como o Fundo de Garantia de Operações (FGO), operado pelo Banco do Brasil, seguem sendo fundamentais para ampliar o acesso ao crédito, especialmente para micro e pequenas empresas. O executivo também mencionou a criação de um selo de reconhecimento para incentivar boas práticas na utilização desses recursos. Para o presidente da Finep, Luiz Antonio Elias, o Brasil vive um momento de fortalecimento do investimento produtivo e de avanço na modernização tecnológica. Ele anunciou a a capitalização do seu capital social da instituição, que permitirá acessar cerca de R$ 25 bilhões entre 2026 e 2028, reforçando a agenda de ciência, tecnologia e inovação nacional. Segundo Elias, programas como o Inovacred serão expandidos, com aumento do limite de crédito e foco em micro e pequenas empresas, além de uma estratégia voltada à redução das desigualdades regionais. “Estamos ampliando a articulação com bancos públicos para fortalecer cadeias produtivas e promover um desenvolvimento mais equilibrado”, afirmou. O dirigente também destacou ainda a destinação de R$ 100 milhões para projetos voltados à eficiência energética e produtividade, além da mobilização de cerca de R$ 71 bilhões nos últimos anos para iniciativas de inovação — um avanço significativo em relação a períodos anteriores, mas que ainda exige continuidade e coordenação. A dimensão internacional do debate foi reforçada pelo diretor da GIZ Brasil, Jochen Quinten, que destacou a importância da cooperação global diante de desafios como mudanças climáticas, desigualdade e tensões geopolíticas. Segundo ele, o Brasil ocupa posição estratégica na transição ecológica e já demonstra, na prática, como fundos públicos podem impulsionar transformações estruturais, especialmente em áreas como proteção ambiental e inclusão social. Quinten defendeu o avanço de modelos como o blended finance, que combinam recursos públicos e privados para ampliar o impacto dos investimentos.Na mesma linha, a representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Annette Kilmer, destacou a importância de fortalecer ambientes de experimentação e inovação no financiamento ao desenvolvimento. Segundo ela, é fundamental adotar abordagens baseadas em dados, com monitoramento contínuo e capacidade de adaptação. “Não podemos esperar por modelos perfeitos. Precisamos testar, aprender e ajustar, especialmente diante de desafios como a mudança climática”, afirmou. Kilmer também ressaltou iniciativas em parceria com a ABDE, a CVM e a GIZ voltadas à criação de um laboratório para desenvolvimento de soluções financeiras.O Fórum do Desenvolvimento segue até esta quinta-feira (2), na Arena do Banco do Brasil, em Brasília, reunindo autoridades, especialistas e representantes do setor público e privado. A programação pode ser acompanhada ao vivo pelo canal oficial da Associação Brasileira de Desenvolvimento no YouTube (www.youtube.com.br/@ABDEOficial) Foto: Bárbarah Queiroz