Badespi recebe visita da ABDE e da AgeRio para troca de experiências e alinhamento institucional

A Agência de Fomento e Desenvolvimento do Estado do Piauí (Badespi) recebeu, nesta sexta-feira (6), a visita institucional de representantes da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) e da Agência de Fomento do Estado do Rio de Janeiro (AgeRio). O encontro teve como objetivo promover a troca de experiências entre as instituições, além de fortalecer o alinhamento estratégico das agências que integram o Sistema Nacional de Fomento (SNF). Durante a visita, os representantes conheceram a estrutura organizacional da Badespi, os principais programas em execução, além de processos internos voltados à concessão de crédito para micro e pequenos empreendedores no Piauí. Para o presidente da Badespi, Marcelo Jannotti, a presença das equipes reforça o papel colaborativo entre as instituições que compõem o ecossistema de desenvolvimento no Brasil. “Essa visita demonstra o quanto o diálogo entre as agências de fomento é essencial para fortalecer políticas públicas de desenvolvimento. Estamos em constante evolução e ouvir outras experiências nos ajuda a aprimorar ainda mais nossa atuação aqui no Piauí”, destacou Jannotti. O presidente da AgeRio, Sérgio Gusman, destacou a importância de uma atuação integrada entre os estados. “É inspirador ver o trabalho que está sendo feito aqui. Cada realidade regional tem suas particularidades, mas os desafios da gestão pública são comuns. Estreitar esse relacionamento é estratégico para que possamos crescer juntos e oferecer soluções cada vez mais eficientes à população”, afirmou Gusman. Já o diretor executivo da ABDE, André Godoy, ressaltou que a visita integra os esforços para o fortalecimento do Sistema Nacional de Fomento e da cultura de cooperação entre as agências. “A ABDE tem incentivado esse movimento de integração e aprendizado mútuo entre suas associadas. O que vimos na Badespi foi uma equipe comprometida com resultados e com impacto real na vida dos empreendedores piauienses. Isso é o que move o desenvolvimento, gente que faz com propósito”, declarou Godoy. Ao final do encontro, os participantes reforçaram o compromisso com a continuidade do diálogo institucional e com a construção conjunta de soluções inovadoras para fomentar o empreendedorismo, gerar emprego e renda, e promover o desenvolvimento sustentável em todas as regiões do país. Fonte: Ascom/BADESPI
BRDE e Agência Francesa de Desenvolvimento celebram parceria de 120 milhões de euros para novos investimentos na Região Sul

Com foco prioritário em projetos de alto impacto em favor do meio ambiente e do clima, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) celebraram, na sexta-feira (06/06), uma operação de 120 milhões de euros (cerca de R$ 770 milhões pela cotação atual) para novos financiamentos nos estados do Sul do país. É o quarto contrato estabelecido entre as duas instituições, o maior em termos de volume de recursos desde o início da parceria. O termo foi assinado durante o Fórum Econômico Brasil-França, que acontece em Paris reunindo autoridades e líderes empresariais dos dois países para discutir temas como transição energética, inovação, oportunidades de negócios e investimentos. O ato contou com as presenças do diretor-presidente do BRDE, Ranolfo Vieira Júnior, e do diretor-geral da AFD, Rémy Rioux. A nova operação terá como prioridade financiar iniciativas voltadas à agricultura sustentável, geração de energias limpas e renováveis, uso racional e eficiente da água, gestão de resíduos e reciclagem e cidades sustentáveis. “É um momento histórico para o BRDE. Além de fortalecer nossa política de diversificação das fontes de recursos, a nova operação com a AFD reflete confiança mútua e um compromisso que compartilhamos em favor do desenvolvimento sustentável”, comemorou Ranolfo. Resiliência O apoio a projetos nas áreas da educação, serviços de saúde, preservação cultural e respostas a desastres naturais é uma das grandes novidades da parceria. “A diversidade do apoio do Grupo AFD a projetos em áreas como educação, saúde, preservação cultural e infraestrutura sustentável é uma das especificidades da parceria que nos une ao BRDE. Um ano após as inundações que atingiram o Sul do Brasil, estamos juntos mobilizados, com esta quarta operação, para fortalecer a resiliência dos territórios da região Sul, integrando uma abordagem inovadora em termos de preparação e gestão de desastres naturais”, disse Rémy Rioux. A celebração da nova operação contou, também, com as presenças do ministro de Comércio Exterior da França, Laurent Saint Martin; do diretor Financeiro do BRDE, João Paulo Kleinübing, do diretor-adjunto da AFD no Brasil, Léo Gaborit, e do secretário estadual da Agricultura do Rio Grande do Sul, Edivilson Brum,. O valor contratado permitirá financiamentos para projetos de diferentes portes (empresas, cooperativas, setor público, produtores rurais e micro e pequenas empresas). Pelas condições acertadas entre as duas instituições, as linhas de crédito terão carência de até três anos. Histórico A última contratação entre BRDE e AFD, no montante de 100 milhões de euros, ocorreu em outubro de 2022, quando Ranolfo era o governador do Rio Grande do Sul. A primeira cooperação entre as duas instituições ocorreu ainda em 2018, no montante de 50 milhões de euros, mas em 2020, BRDE e AFD estabeleceram uma nova parceria, à época de 70 milhões de euros, como parte de um esforço conjunto para estimular a retomada da economia sustentável nos três estados do Sul. No acumulado, a parceria está somando agora 340 milhões de euros. Fonte: Ascom/BRDE Fotos: Juliana Roll/BRDE
BNDES fará primeiros repasses de recursos do Fundo Rio Doce a agricultores e pescadores

O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fará nas próximas semanas os primeiros repasses de recursos do Fundo Rio Doce, criado para custear ações de reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, operada pela Samarco Mineração S.A, ocorrido em novembro de 2015 no Município de Mariana (MG). O aval para as transferências foi dado pelo Comitê Gestor do Fundo Rio Doce em reunião realizada nesta segunda-feira, 9, em que foram previstos desembolsos para 2025 da ordem de R$ 500 milhões para o Programa de Transferência de Renda (PTR) que atenderá pescadores e agricultores e de R$ 28,8 milhões para fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). As primeiras liberações devem ocorrer em julho. Nesta quarta-feira, 12, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou na cidade de Mariana (MG), epicentro do desastre, de Cerimônia de Apresentação dos Avanços do Acordo Rio Doce em Minas Gerais. Também estiveram presentes, a diretora de Crédito Digital para MPME e Gestão do Fundo do Rio Doce do BNDES, Maria Fernanda Coelho, e o superintendente da Área de Enfrentamento de Eventos Extremos e Gestão do Fundo Rio Doce, Gabriel Visconti. “A liberação dos primeiros recursos do Fundo Rio Doce representa um marco concreto na reconstrução do pacto de confiança com as comunidades atingidas. O BNDES vai atuar com rigor técnico e transparência para que os repasses cheguem de forma eficiente a quem mais precisa, como pescadores, agricultores, povos e comunidades tradicionais. Nosso compromisso é com a justiça socioambiental, com a reparação efetiva e com o desenvolvimento sustentável das regiões impactadas”, afirmou a diretora do BNDES, Maria Fernanda Coelho. O rompimento da barragem, que integrava um complexo de mineração da Samarco na zona rural de Mariana (MG), ocorreu em novembro de 2015. No episódio, cerca de 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos escoaram pelo Rio Doce até atingir a foz no Espírito Santo. Dezenove pessoas morreram e houve impactos para populações de dezenas de municípios mineiros e capixabas. No ano passado, nove anos após o desastre, foi assinado um novo acordo entre a União, os estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, a Samarco e suas acionistas Vale e BHP Billiton, além de instituições de Justiça como o Ministério Público e a Defensoria Pública. Ele busca oferecer soluções definitivas para a reparação dos danos e superar as dificuldades enfrentadas no modelo de reparação anterior. O novo acordo foi homologado em novembro do ano passado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Através dele, a Samarco se comprometeu com repasses adicionais que somam R$ 100 bilhões, com desembolsos parcelados ao longo de 20 anos. Desse montante, R$ 49,1 bilhões devem ser destinados à União e serão aportados no Fundo Rio Doce, cuja gestão está sob a responsabilidade do BNDES. O restante dos recursos diz respeito à atribuição de estados, municípios e instituições de Justiça. A atuação do BNDES na gestão do Fundo Rio Doce reforça o compromisso da instituição com a justiça socioambiental, a governança pública e a promoção do desenvolvimento sustentável nas regiões impactadas. Os R$ 49,1 bilhões financiarão projetos variados que tratam de questões como transferência de renda, fomento à educação, ciência e inovação, fortalecimento da saúde e assistência social, ações ambientais e reparação da atividade pesqueira, entre outras. O BNDES administra os valores seguindo as diretrizes do Comitê do Rio Doce, que foi instituído pelo Decreto Federal 12.412/2025. Sua primeira reunião ocorreu no mês passado, quando foi apreciado o estatuto do Fundo Rio Doce e aprovado o regimento interno do Comitê do Rio Doce. O comitê é coordenado pela Casa Civil e composto também pela Secretaria de Relações Institucionais e pela Secretaria-Geral da Presidência, tendo ainda subcomitês temáticos com a participação de outros ministérios. O BNDES participa das reuniões sem direito a voto. PTR – Conforme fixado no novo acordo de reparação, deverão ser destinados R$ 3,75 bilhões ao Programa de Transferência de Renda (PTR) em um período de 4 anos. Os R$ 500 milhões previstos para 2025 serão repassados pelo BNDES à Caixa Econômica Federal, responsável pela operacionalização do PTR. Do total a ser desembolsado nesse ano, R$ 200 milhões serão destinados ao PTR-Pesca e vão atender aproximadamente 22 mil pescadores de toda a área atingida no desastre. O programa é acompanhado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura. Já os outros R$ 300 milhões cabem ao PTR-Rural, que conta com a supervisão do Ministério de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. Nele, serão atendidos cerca de 16 mil agricultores. O acordo estabelece que os inscritos no PTR receberão mensalmente 1,5 salário-mínimo ao longo de três anos. No quarto e último ano, o valor será de 1 salário-mínimo. Assistência Social – As ações de fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) serão coordenadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Os R$ 28,8 milhões a serem destinados em 2025 é uma parcela dos R$ 576 milhões que deverão ser desembolsados até 2029, conforme estabelece o acordo de reparação. O BNDES fará os repasses ao Fundo Nacional de Assistência Social, de onde os recursos serão distribuídos para inciativas municipais de fortalecimento do sistema de assistência social. Outros avanços – Além dos desembolsos já aprovados pelo Comitê Gestor do Fundo Rio Doce, durante a cerimônia ocorrida em Mariana (MG), o presidente Lula e diferentes ministros do governo federal assinaram documentos que marcaram novos avanços relacionados ao acordo de reparação. Entre eles, está a contratação das assessorias técnicas independentes (ATIs), que atuam para garantir a participação informada da população no acompanhamento das ações de reparação. Elas foram escolhidas diretamente pelas famílias atingidas no desastre. Ao todo, o acordo prevê R$ 698 milhões para custear a contratação das ATIs por três anos e meio, podendo haver uma única prorrogação por seis meses. Durante a cerimônia, o governo federal assinou os primeiros contratos com a Cáritas, que atua na cidade de Mariana (MG), e a AEDAS, que atua em Barra Longa (MG). Caberá ao BNDES fazer o repasse dos recursos, dependendo, porém, do aval prévio do Comitê Gestor do Fundo
Especialistas debatem estratégias de incentivo à indústria e à inovação na região Nordeste

O Banco do Nordeste (BNB) aplicou no setor industrial, de 2020 a 2024, R$ 14 bilhões de recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), em 46,4 mil operações. De janeiro a março deste ano, já foi distribuído, em 4,5 mil operações, R$ 1,44 bilhão no setor em sua área de atuação (nove estados do Nordeste e parte dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo). Esses dados foram apresentados durante o evento “Nordeste em Pauta: Indústria e Inovação”, realizado em parceria com o portal Metrópoles, nesta terça-feira, 10 de junho, em Brasília, e que teve o presidente do BNB, Paulo Câmara, como palestrante do painel de abertura. A expectativa é que o Banco supere R$ 5,6 bilhões financiados em 2025 com recursos do FNE para as indústrias e mais R$ 2 bilhões para projetos inovadores. Nos últimos cinco anos (de 2020 a 2024), o BNB financiou R$ 6,36 bilhões em Inovação. Com o objetivo de debater a indústria e a inovação como principais impulsionadoras do desenvolvimento regional, as oportunidades do novo ciclo industrial e o protagonismo do Nordeste no futuro econômico do Brasil, o evento contou ainda, em sua abertura, com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e do governador do Piauí e presidente do Consórcio Nordeste, Rafael Fonteles. Em seguida, o diretor de Planejamento do BNB, Aldemir Freire, e o economista-chefe, Rogério Sobreira, participaram do painel “O novo ciclo da Indústria no Nordeste”, com diretora do BNDES e presidente da ABDE, Maria Fernanda Coelho e o diretor Financeiro, de Crédito e Captação da Finep, Márcio Stefanni, com moderação do jornalista Igor Gadelha. O diretor Aldemir Freire destacou que, além da região Nordeste viver um momento de aumento de investimentos, as instituições financeiras estão alinhadas em seus propósitos. “Estamos num estreito diálogo com as instituições financeiras e fazendo parcerias para oferecer mais crédito para a região. Estamos também alinhados com o Governo Federal e com os governos estaduais. Temos a responsabilidade de aproveitar a oportunidade histórica que se abre para a região neste momento”, disse o diretor. Para o economista-chefe, Rogério Sobreira, esse diálogo com as instituições somado ao desenvolvimento das vocações econômicas do Nordeste é uma possível solução para superar a barreira dos 14% da participação da região no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Fonte: Ascom/BNB
Vitória sedia Sustentabilidade Brasil 2025 e reforça protagonismo na agenda climática nacional

Com o objetivo de reunir diversos setores da sociedade para discutir e construir soluções conjuntas para os desafios ambientais, sociais e econômicos, com foco na preparação para a COP30 em Belém (PA), a capital capixaba está sediando o Sustentabilidade Brasil 2025. A conferência teve inicio na quarta-feira (11) e vai até este sábado (14), buscando fortalecer o protagonismo do Espírito Santo e promover o debate e a ação em torno dos principais temas de sustentabilidade, incluindo a economia circular, a economia azul, as mudanças climáticas e a inclusão social. Com curadoria do Instituto Sustentabilidade Brasil, o evento vai gerar relatórios, recomendações e devolutivas públicas com potencial de influenciar diretamente a posição brasileira na conferência internacional, reunindo especialistas, líderes e agentes de mudança comprometidos com a construção de soluções práticas para os desafios ambientais e sociais do nosso tempo. O evento contou com a participação da diretora Operacional do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), Gabriela Vichi Abel de Almeida, como palestrante. Gabriela Vichi foi uma das palestrantes do painel “Capital que transforma competitividade em desenvolvimento”, no qual apresentou o Fundo de Descarbonização do Espírito Santo e sua importância na transição para uma economia mais sustentável. O painel tem o objetivo de discutir como integrar práticas sustentáveis nos modelos de negócio para garantir inovação e liderança no mercado global e também debater o papel do financiamento sustentável, taxonomia ESG (Environmental, Social, and Governance, que em português se traduz como Ambiental, Social e Governança) e novos mecanismos de investimento para impulsionar a economia verde. Também participaram Elis Braga Licks, pesquisadora em Economia e Meio Ambiente e Werner Kornexl, especialista de recursos naturais do Banco Mundial. “O Fundo de Descarbonização do Espírito Santo é uma iniciativa concreta que demonstra como é possível aliar desenvolvimento econômico à responsabilidade ambiental. Nosso foco é criar mecanismos de financiamento que incentivem práticas sustentáveis, promovam a inovação e tornem a transição para uma economia de baixo carbono uma oportunidade para o setor produtivo capixaba. O Espírito Santo tem se consolidado como referência nacional na agenda climática, e o Bandes está comprometido em ser um agente ativo dessa transformação”, destacou. Ao todo o evento conta com 40 painéis interconectados, Grupos Técnicos de Trabalho, uma Jornada Científica e a adoção formal do ODS 18, voltado à proteção de defensores socioambientais e ao fortalecimento institucional da sustentabilidade. É um ponto de encontro entre governos federal e estadual com a sociedade civil, o setor privado e a academia. Com um formato inovador, a Conferência Técnica, que integra o evento, estrutura-se em 13 trilhas temáticas que se cruzam em interseções estratégicas, promovendo um diálogo interdisciplinar entre temas como transição energética, saúde, inovação e infraestrutura verde, direitos humanos e justiça climática, cultura e sustentabilidade criativa, economia azul, competitividade e mercado ESG. Sustentabilidade Brasil Sustentabilidade Brasil 2025 é o principal evento nacional voltado à pauta socioambiental, reunindo governo, empresas, academia e sociedade civil para debater soluções práticas em áreas como transição energética, finanças verdes, agro sustentável, justiça climática e economia circular. O encontro acontece em um contexto de fortalecimento das políticas ambientais no Brasil, com metas climáticas mais ambiciosas, regulamentação ESG, implantação do mercado de carbono e preparação para a COP30. O evento busca acelerar a transformação sustentável no país por meio de diálogo, ciência e inovação. O evento surgiu do sucesso do já consagrado Sustentabilidade Capixaba que em três edições retomou os grandes encontros do setor, sob a perspectiva de construção coletiva, conectando pessoas, negócios, poder público, academia, organizações sociais, e meio ambiente. Por meio do seu governador, o Estado ocupa hoje a presidência do Consórcio Interestadual sobre o Clima, o Consórcio Brasil Verde. O Sustentabilidade Brasil 2024, realizado no Pavilhão de Carapina, Serra/ES, atraiu mais de 12 mil pessoas e contou com 120 palestrantes abordando desde a crise climática até práticas sustentáveis inovadoras. Texto: Vida Nogueira Flor Fonte: Ascom/BANDES
ABDE destaca papel de instituições financeiras na transição energética durante Brazil Energy Conference

Durante painel, representantes de bancos apresentaram experiências de financiamento verde e estratégias regionais de descarbonização Com o tema “Inovação financeira para a transição energética junto aos bancos regionais e de desenvolvimento”, o painel promovido pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) nesta quinta-feira (5), integrou a programação da Brazil Energy Conference 2025, em Teresina (PI). O encontro reuniu representantes de sete instituições financeiras públicas que compartilharam experiências concretas, soluções inovadoras e os principais desafios para acelerar a transição energética no Brasil, com foco em inclusão social, desenvolvimento regional e sustentabilidade econômica. O painel da ABDE reafirmou o papel central dos bancos públicos e regionais na condução da transição energética brasileira. Com iniciativas que combinam inovação, captação internacional, parcerias estratégicas e foco regional, as instituições demonstraram que é possível alinhar sustentabilidade ambiental com inclusão produtiva e desenvolvimento econômico. A mediação ficou a cargo de Márcia Maia, presidente da Desenvolve Rio Grande do Norte e diretora da ABDE, que destacou a importância de conectar inovação financeira à transformação socioeconômica dos territórios. “Nosso objetivo é mobilizar capital para impulsionar a transição energética, promovendo também a inclusão social e o desenvolvimento regional. O Rio Grande do Norte, por exemplo, é hoje o maior gerador de energia eólica do país, com 304 parques em operação e mais de 10 GW de potência instalada, resultado de políticas públicas estratégicas iniciadas há décadas”, afirmou. O presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), Marcelo Saintive, apresentou o Fundo de Descarbonização da Economia Capixaba, vinculado ao Fundo Soberano do Espírito Santo, que será operado por meio de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios FDIC e contará com R$ 500 milhões em recursos iniciais para projetos de energia renovável, biogás, biomassa, tecnologias limpas e eficiência energética. “Entre 2004 e 2024, os desastres climáticos custaram R$ 22 bilhões à economia do Espírito Santo. Precisamos transformar risco climático em estratégia de investimento. O fundo vai financiar projetos com retorno socioambiental claro e poderá receber cotistas privados”, explicou. Ele também citou que 56% das empresas consultadas em 33 municípios afirmaram ter interesse em investir em descarbonização nos próximos 18 meses. Gabriel Santamaria, Head de Sustentabilidade do Banco do Brasil, compartilhou a trajetória da instituição como líder em finanças sustentáveis e os instrumentos usados para incentivar a adoção de energia renovável por diferentes públicos. “Em 2022 tínhamos menos de R$ 2 bilhões em carteira para energia renovável. Hoje são R$ 18 bilhões, e nossa meta é chegar a R$ 30 bilhões até 2030”, destacou. Ele também ressaltou que mais de 184 mil empresas estão habilitadas para comprar energia no mercado livre, e que o BB captou R$ 33 bilhões com investidores internacionais para financiar agricultura de baixo carbono e geração renovável. Já o superintendente de Negócios do Banco do Nordeste (BNB), Emiliano Portella, apresentou dados robustos sobre o papel da instituição na expansão da infraestrutura energética na região. De 2018 a 2025, o BNB destinou R$ 54 bilhões para geração, transmissão e distribuição de energia — representando 78,9% da carteira de infraestrutura. “Temos 36,3 mil operações em geração distribuída e R$ 2,63 bilhões aplicados só com o FNE Sol. Nosso foco é apoiar desde grandes projetos até agricultores familiares com microgeração fotovoltaica, promovendo inclusão e eficiência produtiva”, explicou. Portella também destacou projetos industriais em curso no Piauí voltados à descarbonização, com investimentos acima de R$ 1 bilhão. O analista sênior da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Hudney Antunes, ressaltou que a instituição já apoiou quase R$ 7 bilhões em 270 projetos de transição energética nos últimos dois anos. Ele reforçou o papel das parcerias regionais e da descentralização do crédito. “A Finep atua como Secretaria Executiva do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Lançamos uma chamada conjunta com diversos parceiros — como BNDES, BB, BNB, Caixa, Sudene — com foco em energia renovável e descarbonização, para projetos a partir de R$ 10 milhões”, disse. Morenno de Macedo, gerente Nacional de Finanças Sustentáveis da Caixa Econômica Federal, destacou o uso de instrumentos de crédito para induzir práticas sustentáveis no setor habitacional. A Caixa lidera o crédito imobiliário no país, com uma carteira de R$ 850 bilhões. “Estamos captando cerca de US$ 400 milhões com o Banco Mundial e outras instituições para criar condições diferenciadas para empreendimentos certificados com selos de sustentabilidade, como o LEED, Procel Edifica ou o nosso Selo Casa Azul. Isso pode transformar a indústria da construção no Brasil”, afirmou. Segundo ele, essa estratégia faz parte de uma operação de blended finance com foco na eficiência energética e na redução da pegada ambiental dos empreendimentos financiados.