PRSAC
Orientações para instituições financeiras brasileiras sobre como implementar e aprimorar sua política de responsabilidade — promovendo impactos positivos sobre a sociedade, o meio ambiente e o clima.
Esta cartilha reúne orientações para as instituições financeiras brasileiras atualizarem e aprimorarem suas políticas de responsabilidade social, ambiental e climática (PRSAC). A principal referência normativa é a Resolução CMN nº 4.945, de 15/9/2021. A elaboração da cartilha é uma iniciativa da GIZ Brasil/ Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH no âmbito da Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável por meio do Projeto Finanças Brasileiras Sustentáveis (FiBraS), apoiado pelo Bundesministerium für wirtschaftliche Zusammenarbeit und Entwicklung (BMZ) da Alemanha.
A cartilha integra o projeto de relatoria técnica do Seminário “Sustentabilidade Social, Ambiental e Climática no Setor Financeiro Brasileiro: da responsabilidade à gestão dos riscos”, realizado nos dias 24 e 25 de junho de 2025 pelo Banco Central do Brasil (BCB), o qual foi apoiado pela GIZ Brasil sob a égide do projeto FiBraS. Cabe ressaltar que as orientações contempladas neste documento não são oriundas diretamente do BCB. Elas são o resultado dos insumos coletados no âmbito do referido Seminário.
O conteúdo da cartilha está disposto em seis seções. A primeira seção aborda o contexto mais amplo em que emergiu a resolução do CMN sobre a PRSAC, ao passo que a segunda seção apresenta uma síntese do aprimoramento regulatório do BCB nos temas de responsabilidade social, ambiental e climática (SAC). A terceira seção oferece um detalhamento dos aspectos normativos da elaboração da PRSAC e da definição de ações para sua implementação. A quarta e a quinta seções relacionam-se diretamente com o Seminário sobre temas SAC no setor financeiro brasileiro organizado pelo BCB. As seções sistematizam, respectivamente, os desafios e as oportunidades atinentes às políticas de responsabilidade corporativa que foram identificados na relatoria técnica do Seminário. A sexta e última seção apresenta um passo a passo composto de iniciativas-chave para a elaboração e implementação da PRSAC pelas instituições financeiras.
A PRSAC surge do reconhecimento de que as decisões financeiras produzem impactos materiais sobre a sociedade, o meio ambiente e o clima. A norma estabelece um arcabouço para que essas decisões reflitam responsabilidade ativa.
Promoção de impactos positivos das IFs nas dimensões social, ambiental e climática. A instituição age sobre a sociedade e o meio ambiente com responsabilidade.
Identificação e mitigação de riscos SAC que impactam a própria instituição. Foco na proteção do capital, liquidez e estabilidade financeira.
Respeito, proteção e promoção de direitos e garantias fundamentais. Diversidade, inclusão, cidadania financeira e combate a práticas discriminatórias.
Preservação, reparação e recuperação do meio ambiente. Incentivo à biodiversidade, uso racional dos recursos naturais e redução da poluição.
Contribuição para a transição para uma economia de baixo carbono. Financiamento de energias limpas, gestão da pegada de carbono e adaptação climática.
A trajetória regulatória que culminou na norma da PRSAC reflete um processo incremental de incorporação da sustentabilidade ao sistema financeiro brasileiro.
Marco inicial: requisitos socioambientais para acesso ao crédito rural no Bioma Amazônia, integração explícita de critérios sociais e ambientais ao financiamento.
Aprofundamento da agenda socioambiental com instrumentos voltados ao estímulo de práticas produtivas sustentáveis.
Política de Responsabilidade Socioambiental passa de iniciativa voluntária para obrigação regulatória permanente na governança das IFs.
Novo arcabouço regulatório incorpora o clima às responsabilidades corporativas e estabelece a distinção entre responsabilidade SAC e gestão de riscos SAC.
Início de ciclos de supervisão que diferenciam formalmente a responsabilidade SAC da gestão de riscos SAC nas avaliações.
Avaliações de Risco e Controles (ARCs) específicas para cada dimensão, reafirmando a PRSAC como instrumento voltado à responsabilidade das IFs.
Marcos normativos, conceitos fundamentais, ações operacionais e estrutura de governança que definem o escopo prático da PRSAC sob a ótica de dentro para fora.
A responsabilidade SAC refere-se às ações proativas da IF na condução de suas atividades e negócios, buscando gerar impactos sociais, ambientais e climáticos positivos sobre a sociedade e o meio ambiente.
Fonte: GPS, subitem 10.10.10.11.02 - Gestão dos RSAC, pontos 1.1, 1.2 e 1.4.
Conjunto de princípios e diretrizes de natureza social, ambiental e climática a ser observado pela instituição na condução dos seus negócios, atividades e processos, bem como na sua relação com as partes interessadas.
A PRSAC deve ser revisada a cada três anos ou em caso de evento relevante.
A PRSAC deve ser unificada para instituições integrantes de um mesmo conglomerado prudencial ou de um mesmo sistema cooperativo de crédito.
Fonte: Resolução CMN n° 4.945, arts. 2°, 3°, 7°, § 1°, 11 e 12.
Respeito, proteção e promoção de direitos e garantias fundamentais e de interesse comum — pessoas ligadas jurídica ou factualmente pela mesma causa, quando não relacionada às naturezas ambiental ou climática.
Preservação e reparação do meio ambiente, incluindo sua recuperação quando possível.
Contribuição positiva da IF: (a) na transição para uma economia de baixo carbono; e (b) na redução dos impactos de intempéries severas e alterações ambientais de longo prazo.
Fonte: Resolução CMN n° 4.945, art. 3°, § 1º.
Oferta financeira desenhada para promover impactos positivos nas três dimensões SAC, e indução de boas práticas pelas contrapartes.
Restrições deliberadas ao financiamento de atividades com potencial de causar danos socioambientais ou de comprometer a integridade do tomador.
Os riscos SAC que afetam a IF podem também ser vistos como oportunidades para ações de responsabilidade social, ambiental e climática.
Possibilidade de perdas para a IF ocasionadas por eventos associados ao processo de transição para uma economia de baixo carbono — em que a emissão de GEE é reduzida ou compensada e os mecanismos naturais de captura são preservados.
Possibilidade de perdas para a IF ocasionadas por eventos associados a intempéries frequentes e severas ou a alterações ambientais de longo prazo, que possam ser relacionadas a mudanças em padrões climáticos.
Fonte: Resolução CMN n° 4.945, art. 3°, § 2º; Resolução CMN n° 4.457, arts. 38-A a 38-C; GPS, subitem 10.10.10.11.02 - Gestão dos RSAC, ponto 4.1, quadro “Itens a avaliar”, bloco “Ações de responsabilidade social, ambiental e climática".
Conjunto das áreas envolvidas com a elaboração e revisão da PRSAC e com o planejamento, execução e monitoramento das ações, incluindo atribuições, responsabilidades e alçadas.
Fonte: Resolução CMN n° 4.945, arts. 4° a 10; Resolução CMN n° 4.457; GPS, subitem 10.10.10.11.02 - Gestão dos RSAC, ponto 4.1.2.
13 eixos de desafios identificados no Seminário do BCB (jun/2025) para a implementação da PRSAC.
Reprodução da redação normativa, sem personalização que reflita os objetivos, porte ou natureza da instituição.
Concentração em iniciativas internas (papel, energia), ignorando o maior potencial de impacto positivo nos produtos e serviços financeiros.
Menor atenção às dimensões social e ambiental, resultando em implementação desequilibrada e descaracterização da abordagem integrada.
Análises qualitativas e participação de partes interessadas para avaliar impactos da transição não podem ser reduzidos a critérios formais.
Concentrações em setores ou regiões com maior exposição a eventos climáticos extremos exigem processos compatíveis com a proporcionalidade.
No financiamento de cadeias complexas, a rastreabilidade plena em todos os elos permanece um desafio para conhecer impactos.
Aprovação apenas pelo diretor, sem deliberação formal do CA ou da diretoria colegiada — atendimento incompleto dos requisitos.
Deslocar da adesão formal para internalização real da cultura da PRSAC em todas as áreas, com sensibilização e capacitação contínuas.
Ausência de instrumentos adequados de monitoramento e metodologias consolidadas de mensuração de impactos positivos.
Informações dispersas, incompletas e desatualizadas nos sítios eletrônicos, dificultando comparabilidade entre instituições.
Escassez de pessoal, sobrecarga das equipes e limitações tecnológicas. Lacunas de capacitação técnica nos eixos climático e ambiental.
Confusão entre PRSAC (impactos positivos) e gestão de riscos SAC (perdas potenciais). A sobreposição amplifica riscos de greenwashing.
Entre segmentos S1–S2 (com mais recursos) e S3–S5 (desafios acentuados em efetividade). Supervisão com recursos limitados.
11 oportunidades estratégicas para fortalecer as IFs e direcionar o sistema financeiro para a sustentabilidade.
Alto potencial para mobilizar recursos em larga escala para iniciativas sustentáveis, atraindo capital internacional.
Recuperação ambiental, agricultura sustentável, empreendimentos de baixo impacto e projetos de transição.
Engajamento dos clientes pela valorização de boas práticas, evitando que sustentabilidade seja vista como ótica punitiva.
Transformar restrições em oportunidades de governança, prevenção à lavagem e preservação reputacional.
Canais digitais com lógica educativa, simuladores e instrumentos de apoio ao planejamento.
Consulta pública e interação com stakeholders sobre transição justa, biodiversidade e questões emergenciais.
Páginas únicas com informações exigidas, links diretos, busca eficaz e medidas anti-greenwashing.
Sustentabilidade como dimensão estratégica do BCB reforça a PRSAC como instrumento indutor.
Balanços periódicos registram avanços, identificam lacunas e reprogramam ações de melhoria contínua.
O GPS do BCB diferencia instituições pelo grau de maturidade — orientação e referência setorial.
Harmonização de critérios, atuação coordenada e bases públicas para antecipar impactos negativos.
10 iniciativas-chave para a implementação efetiva da PRSAC nas instituições financeiras.
Garantir que todas as unidades compreendam a política, o plano de ações e suas respectivas responsabilidades.
Revisar processos para que se alinhem à PRSAC e favoreçam sua implementação transversal em toda a organização.
Revisar estruturas e processos relacionados à gestão ambiental institucional para elevar eficiência e aderência.
Oficinas, cursos e soluções educacionais para ampliar capacidades institucionais na elaboração e execução da PRSAC.
Cenários e análises de risco climático — físico e de transição — para orientar a estratégia de sustentabilidade.
Metodologias de testes de estresse e análise de vulnerabilidades climáticas para decisões de longo prazo.
Avaliação da carteira de crédito para mensurar efeitos sobre as dimensões social, ambiental e climática.
Página específica no sítio com informações atualizadas: princípios, ações, compromissos e governança.
Relatórios internos e públicos sobre a execução da PRSAC, assegurando efetividade e prestação de contas.
Fortalecer o relacionamento com partes interessadas internas e externas, com escuta, participação e corresponsabilidade.