Medidas incluem ações como crédito emergencial, saque do FGTS e renegociação de dívidas para famílias, empresas e municípios afetados
A Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) consolidou um balanço das medidas adotadas pelas instituições que integram o Sistema Nacional de Fomento (SNF) em resposta às enchentes que atingiram a Zona da Mata mineira em fevereiro de 2026. Entre os agentes mobilizados estão o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), a Caixa Econômica Federal (CEF), o Banco do Brasil (BB) e o sistema cooperativo Sicoob. As ações incluem oferta de crédito emergencial, renegociação de dívidas, liberação de recursos sociais, apoio humanitário e financiamento à reconstrução da infraestrutura urbana e das atividades econômicas nos municípios afetados.
Crédito emergencial para reconstrução econômica
Entre as principais medidas anunciadas, o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) disponibilizou R$ 200 milhões em linhas emergenciais de crédito destinadas a micro, pequenas, médias e grandes empresas, cooperativas de produção e negócios ligados ao agronegócio localizados em municípios que decretaram emergência e/ou calamidade pública. O financiamento também está disponível para as prefeituras mineiras.
As condições incluem taxa fixa de 0,9% ao mês para micro e pequenas empresas, prazo de até 36 meses e carência de seis meses. Os recursos podem ser aplicados para capital de giro e a contratação é 100% digital pelo site do banco.
Para as médias e grandes empresas, haverá linha emergencial com taxas diferenciadas, até 90 meses para pagar e até 36 meses de carência.
Para os municípios, o financiamento prevê taxa subsidiada pelo BDMG Solidário Municípios 2026 de 0,28% ao mês mais Selic, prazo de até 120 meses e liberação imediata de até 95% do valor contratado, permitindo acelerar obras de drenagem, contenção de encostas, reconstrução de equipamentos públicos, habitação e saneamento.
Proteção social e resposta rápida à população
A Caixa Econômica Federal ativou seu Protocolo de Resposta a Desastres Ambientais e Climáticos, estruturando monitoramento diário e atuação integrada com o Governo Federal e ministérios setoriais. Entre as medidas adotadas está a liberação do Saque Calamidade do FGTS, permitindo a trabalhadores dos municípios atingidos retirar até R$ 6.220 por conta vinculada. É necessário possuir saldo na conta do FGTS e não ter realizado saque pelo mesmo motivo em período inferior a 12 meses.
O banco também mobilizará caminhão-agência na região, garantindo continuidade dos serviços sociais — incluindo pagamento de benefícios —, pausou prestações habitacionais e apoiou ações de reconstrução urbana por meio do Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece).
Flexibilização financeira e apoio ao setor produtivo
O Banco do Brasil acionou o Programa Ajuda Humanitária e anunciou um pacote de medidas que inclui doação inicial de R$ 200 mil, realizada pela Fundação Banco do Brasil, destinada a instituições sem fins lucrativos da região. As entidades serão responsáveis pela aquisição e distribuição de itens como roupas, alimentos, kits de higiene e materiais de limpeza.
No campo financeiro, o banco disponibilizou carência de até seis meses em operações de crédito para pessoas físicas de renovação ou contratação do BB Crédito Consignado e do BB Crédito Salário; e possibilidade de repactuação de até quatro parcelas de capital e encargos básicos nas operações de financiamento imobiliário e de empréstimo com garantia de imóvel.
Para pessoas jurídicas, o programa Pula Parcela Emergencial PJ e linhas de reperfilamento de dívidas com prazo de até 60 meses.
Produtores rurais também foram contemplados com crédito emergencial, simplificação na prorrogação de operações agrícolas e prioridade na análise de perdas pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). O banco ainda adotou medidas operacionais excepcionais, como estorno de encargos e ampliação temporária de limites de transações, beneficiando milhares de clientes na região.
No segmento de seguros, a BB Seguros iniciou comunicação ativa, via WhatsApp, com segurados dos municípios impactados, reforçando orientações para acionamento de assistências e abertura de sinistros.
O Banco do Brasil também está em contato com os entes públicos das cidades atingidas para oferecer operações de crédito com tramitação priorizada.
DOAÇÕES E MOBILIZAÇÃO SOCIAL – O Banco do Brasil e a Fundação Banco do Brasil ampliaram a campanha de arrecadação para assistência às comunidades afetadas, com todas as Associações Atléticas Banco do Brasil (AABB) de Minas Gerais funcionando como pontos oficiais de coleta de donativos, como água mineral, produtos de limpeza e higiene pessoal, cobertores, travesseiros, toalhas, roupas e calçados em bom estado. As doações em dinheiro podem ser feitas ao
Banco do Brasil (001), agência 1607-1, conta 80.000-7, ou via Pix pela chave pix.enchentesmg@fundacaobb.org.br.
Já o sistema cooperativo o Sicoob lançou campanha nacional por meio do Instituto Sicoob para o Desenvolvimento Sustentável, destinada ao apoio direto às famílias da Zona da Mata mineira. As contribuições podem ser realizadas via Pix (CNPJ) 07.147.834/0001-73, favorecido Instituto Sicoob para o Desenvolvimento Sustentável.
A Caixa Econômica Federal também integra a mobilização solidária em parceria com a ONG Moradia e Cidadania, arrecadando recursos destinados às famílias afetadas por meio de doações via depósito ou Pix, pela chave (31) 99991-0733, Banco CAIXA (104), agência 0620, operação 1292, conta corrente 577578823-7.
SNF como instrumento de resiliência climática
O diretor-executivo da ABDE, André Godoy destacou, ainda, que a ABDE divulgou recentemente um estudo intitulado “Cidades Sustentáveis: Construção de uma Nova Realidade para os Municípios no Âmbito da Sustentabilidade e do Programa Nacional de Mudança Climática”, que apresenta propostas fiscais e regulatórias capazes de destravar cerca de R$ 27 bilhões em novos financiamentos voltados à adaptação urbana, incluindo drenagem, contenção de encostas e infraestrutura resiliente.
“O crédito público e os instrumentos financeiros de desenvolvimento são fundamentais em momentos de crise. Essas ações permitem não apenas apoiar famílias e empresas no curto prazo, mas também garantir condições para que os municípios reconstruam suas economias de forma mais resiliente e preparada para eventos climáticos cada vez mais frequentes”, afirma o diretor-executivo da ABDE, André Godoy
Confira o estudo na íntegra em www.abde.org.br/tipo/estudos/
Foto retirada do site do Senado Federal/ Crédito: Hélio Filho/ SECOM ES


