Levantamento realizado pela ABDE também revela que 96,7% das concessões dos recursos equalizados da agricultura empresarial foram realizadas pelo SNF
Enquanto o governo federal anunciou nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/2027, com volume recorde de R$ 525,1 bilhões destinados à agricultura empresarial, a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) divulgou um balanço da execução do ciclo anterior. Entre julho de 2025 e maio de 2026, o Plano Safra movimentou R$ 494,4 bilhões em concessões e alcançou 2,31 milhões de contratos, 2% acima do registrado no mesmo período da safra anterior.
Na agricultura empresarial, excluído o Pronaf, as concessões totalizaram R$ 433 bilhões entre julho de 2025 e maio de 2026. Entre os destaques do período está o avanço dos financiamentos para industrialização, que alcançaram R$ 33,2 bilhões, alta de 57% em relação ao mesmo período da safra anterior. As operações com Cédula de Produto Rural (CPR) cresceram 8% e movimentaram R$ 185,2 bilhões, enquanto o custeio totalizou R$ 165,8 bilhões, os investimentos R$ 77,6 bilhões e a comercialização R$ 32,8 bilhões.
O levantamento mostra que o Sistema Nacional de Fomento (SNF) foi o principal responsável pela execução dos recursos equalizáveis do Plano Safra. Dos R$ 48,88 bilhões em recursos equalizáveis concedidos à agricultura empresarial até maio de 2026, 96,7% (R$ 47,3 bilhões) foram operados por instituições do SNF. Na programação dos recursos, a participação também foi majoritária: 95,6% (R$ 87,3 bilhões) dos R$ 91,37 bilhões previstos. Nas linhas de custeio e investimento, a participação do Sistema também foi predominante, alcançando R$ 25 bilhões e R$ 21,8 bilhões em concessões, respectivamente.
Os recursos equalizáveis do Plano Safra são operados por 14 instituições integrantes do Sistema Nacional de Fomento (SNF): Banco do Brasil (BB), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Caixa Econômica Federal (Caixa), Banco da Amazônia S.A. (Basa), Banco de Brasília S.A. (BRB), Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais S.A. (BDMG) e Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).
Também integram esse grupo a Agência de Fomento do Estado da Bahia S.A. (Desenbahia), Agência de Fomento do Estado do Rio Grande do Sul S.A. (Badesul Desenvolvimento), Banco do Estado do Pará S.A. (Banpará), Banco do Estado do Rio Grande do Sul S.A. (Banrisul), Cooperativa Central de Crédito com Interação Solidária (Cresol), Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob) e Sistema de Crédito Cooperativo (Sicredi).
No caso do Banco do Nordeste (BNB), que opera crédito rural por meio do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), a instituição destinou R$ 31 bilhões ao financiamento da agricultura empresarial e R$ 20,2 bilhões à agricultura familiar no Plano Safra 2025/2026. Esse desempenho representa 48% de todo o crédito rural contratado em sua área de atuação, que abrange os nove estados do Nordeste e parte de Minas Gerais e do Espírito Santo.
Entre outras instituições que operam os recursos equalizados do Plano Safra, o Banco do Brasil lidera o volume de concessões, com R$ 14,54 bilhões em operações, seguido por Sicredi (R$ 8,62 bilhões), BNDES (R$ 8,26 bilhões), Sicoob (R$ 8,06 bilhões), Cresol (R$ 3,67 bilhões) e Caixa Econômica Federal (R$ 2,28 bilhões).
Para a diretora executiva da ABDE em exercício, Cristiane Viturino, o balanço demonstra que a efetividade do Plano Safra depende tanto do volume de recursos disponibilizados quanto da capacidade das instituições financeiras de fazer esse crédito chegar ao produtor rural.
“O Plano Safra é uma das mais importantes políticas públicas para o desenvolvimento do país, mas seu sucesso depende da capacidade de transformar os recursos anunciados em crédito efetivamente contratado. Os números mostram que o Sistema Nacional de Fomento cumpre esse papel com capilaridade, conhecimento das diferentes realidades regionais e compromisso com o desenvolvimento da agropecuária brasileira. É essa atuação que garante que os recursos cheguem aos produtores rurais, cooperativas e empresas em todas as regiões do país”, finaliza.


