ABDE elabora carta às candidaturas de 2026 com 20 propostas sobre financiamento

Documento reúne cinco eixos estratégicos e convida candidatos do Legislativo e Executivo a assumirem compromissos com o fortalecimento do SNF A Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), representante do Sistema Nacional de Fomento (SNF), produziu um documento intitulado Carta Aberta às Candidaturas 2026, que apresenta uma agenda estratégica de propostas voltadas ao fortalecimento do financiamento ao desenvolvimento no Brasil. Direcionada aos candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais e ao Poder Legislativo, a carta reúne 20 propostas estruturadas em cinco eixos prioritários e um compromisso mínimo que a entidade solicita que seja assumido publicamente pelas candidaturas. O documento destaca o papel do Sistema Nacional de Fomento como principal instrumento de crédito para o desenvolvimento do país. Atualmente, o SNF reúne 35 instituições — entre bancos públicos, bancos de desenvolvimento, agências de fomento, sistemas cooperativos, além da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Esse sistema é responsável por 45% do crédito nacional, com R$ 6,9 trilhões em ativos, atendimento a 75 milhões de clientes e presença em todos os 5.570 municípios brasileiros. A carta ressalta ainda que, em 2025, o Sistema respondeu por 98% do financiamento aos estados e municípios, 66% do crédito rural, 76% do crédito para infraestrutura e 74% do financiamento de longo prazo no país, evidenciando sua importância para a execução de políticas públicas e para o desenvolvimento regional. Ao contextualizar os desafios do Brasil para o ciclo 2027-2030, a ABDE aponta gargalos históricos que exigem uma estratégia consistente de financiamento. Entre eles estão o baixo investimento em infraestrutura (2% do PIB), os investimentos em ciência e tecnologia (1,2% do PIB), a falta de coleta de esgoto para cerca de 100 milhões de brasileiros, a elevada informalidade, que atinge 40% da força de trabalho, e os impactos crescentes das mudanças climáticas, que já provocam perdas superiores a R$ 100 bilhões por ano. O documento também lembra que a transição para uma economia de baixo carbono demandará investimentos superiores a US$ 1 trilhão até 2050. Cinco eixos estratégicos As propostas apresentadas pela ABDE estão organizadas em cinco grandes eixos de políticas públicas: Propõe a modernização do marco regulatório das instituições financeiras de desenvolvimento, tratamento regulatório proporcional aos diferentes modelos que compõem o SNF, fortalecimento da atuação legislativa em favor do Sistema Nacional de Fomento e aperfeiçoamento das regras para ampliar o acesso ao crédito em todo o país. Defende a criação de novas fontes de recursos para ampliar o crédito de longo prazo, mecanismos inovadores de captação, fortalecimento dos fundos públicos e garantidores de crédito, além da diversificação dos instrumentos de financiamento para políticas públicas. Apresenta medidas para ampliar o financiamento da agricultura sustentável, da indústria, das micro e pequenas empresas, da inovação, da pesquisa e da conectividade digital, fortalecendo a competitividade e a soberania tecnológica brasileira. Propõe ampliar os instrumentos financeiros voltados à descarbonização da economia, aumentar a capacidade de financiamento das cidades para adaptação às mudanças climáticas e integrar desenvolvimento econômico, Defesa Civil e instituições financeiras para resposta rápida a eventos extremos. Reúne propostas voltadas à expansão do microcrédito e das microfinanças, educação financeira, fortalecimento do empreendedorismo feminino, inclusão produtiva e valorização do cooperativismo como instrumento de desenvolvimento econômico e social. Compromisso mínimo Além das propostas, a ABDE solicita que as candidaturas assumam cinco compromissos considerados essenciais: o reconhecimento do Sistema Nacional de Fomento como infraestrutura permanente de desenvolvimento; a modernização do marco regulatório das instituições financeiras de desenvolvimento; a preservação dos fundos públicos como instrumentos permanentes de financiamento; o compromisso com uma agenda integrada de financiamento da transição climática; e o fortalecimento da educação financeira, da inclusão produtiva e do cooperativismo. Ao final da carta, a entidade coloca sua equipe técnica à disposição para apresentar dados, projeções e estudos sobre o Sistema Nacional de Fomento às equipes programáticas das candidaturas e solicita reuniões para aprofundar as propostas apresentadas. A ABDE defende que o processo eleitoral de 2026 representa uma oportunidade para consolidar o entendimento de que o Sistema Nacional de Fomento é um patrimônio nacional e um instrumento estratégico para promover um desenvolvimento sustentável, inclusivo e capaz de alcançar todas as regiões do país.

Missão à China reforça cooperação entre SNF e instituições financeiras chinesas

O diretor-executivo da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), André Godoy, participou da missão internacional China Mission | Innovation, Finance and Artificial Intelligence, realizada entre os dias 3 e 7 de agosto, em Beijing e Shanghai. A iniciativa reuniu representantes de instituições do Sistema Nacional de Fomento (SNF) em uma agenda voltada ao intercâmbio de experiências, à inovação financeira e à ampliação das oportunidades de cooperação entre Brasil e China. Ao longo da semana, a delegação visitou algumas das principais instituições financeiras e de inovação da China, entre elas o China Development Bank (CDB), o Industrial and Commercial Bank of China (ICBC), o People’s Bank of China (PBoC), o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB), além de empresas de tecnologia, startups, parques tecnológicos, a Huawei e a Shanghai Data Exchange. Segundo André Godoy, a missão evidenciou a convergência entre as prioridades das instituições de desenvolvimento dos dois países, especialmente em temas como financiamento da infraestrutura, descarbonização da economia, inovação tecnológica e desenvolvimento social. “Visitamos instituições muito distintas — instituições financeiras, empresas de tecnologia, startups, universidades e a bolsa de valores de dados, entre outras. Essa diversidade nos permitiu observar de perto inovações em tecnologia, modelos de negócio e a aplicação de tecnologia e inovação dentro de instituições financeiras. São oportunidades concretas para o Brasil avançar em inovação tecnológica, tanto do lado do fomento quanto da aplicação dessa tecnologia nos negócios bancários e de desenvolvimento”, destacou. Entre os principais compromissos da programação esteve a reunião com dirigentes do People’s Bank of China, quando foram discutidos instrumentos financeiros, o mercado de títulos (bonds) e possibilidades de aproximação com o Brasil. A delegação também conheceu iniciativas voltadas à robótica, inteligência artificial aplicada ao sistema financeiro e soluções desenvolvidas por empresas de tecnologia chinesas. Outro destaque foi o encontro com a diretoria do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB), que abriu perspectivas para futuras parcerias envolvendo instituições brasileiras de desenvolvimento. “Exploramos oportunidades de cooperação entre os bancos brasileiros e o AIIB em áreas como finanças sustentáveis, transição energética, bioeconomia, agricultura sustentável e infraestrutura. Foi uma reunião bastante positiva e que pode render importantes parcerias para o Brasil nos próximos anos”, afirmou Godoy. A missão será encerrada em Xangai, nesta sexta-feira (7), com uma sessão de síntese conduzida pelo professor Rodrigo Zeidan, da Fundação Dom Cabral, que reuniu os principais aprendizados da semana e discutiu como as experiências observadas podem contribuir para fortalecer o Sistema Nacional de Fomento e ampliar a cooperação institucional entre Brasil e China.

Presidenta da ABDE defende papel do financiamento para cidades resilientes

A presidenta da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), Maria Fernanda Coelho, participou nesta terça-feira (4) da abertura do Ciclo de Diálogos de Alto Nível: Cidades e Ação Climática, realizado em Brasília pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) e pelo Sebrae Nacional. O encontro reuniu gestores públicos, especialistas e representantes de instituições para discutir o papel das cidades brasileiras na agenda climática e na preparação para a COP31. Durante sua participação, Maria Fernanda ressaltou que o Sistema Nacional de Fomento (SNF) é um dos principais instrumentos para viabilizar a adaptação dos municípios às mudanças climáticas, lembrando que a maior parte do financiamento destinado a estados e municípios passa pelas instituições que integram o sistema. Também destacou a importância de ampliar os investimentos preventivos, fortalecer instrumentos financeiros voltados à resiliência climática e simplificar o acesso ao crédito, especialmente para cidades de pequeno e médio porte. “A agenda climática precisa chegar aos territórios. Isso exige financiamento de longo prazo, cooperação entre os entes federativos e instrumentos que permitam aos municípios investir em prevenção antes que os desastres aconteçam. O Sistema Nacional de Fomento está preparado para ser um parceiro estratégico nessa transformação, apoiando cidades de todos os portes na construção de um desenvolvimento mais resiliente, sustentável e inclusivo”, argumentou. A presidente também apresentou iniciativas conduzidas pela ABDE para fortalecer essa agenda, como o estudo Cidades Sustentáveis: Construção de uma Nova Realidade para os Municípios, que propõe medidas para ampliar os investimentos preventivos, e a criação do Grupo de Trabalho de Resiliência Climática do SNF, voltado ao fortalecimento das respostas às mudanças climáticas e aos impactos previstos do El Niño.

Inscrições para o Prêmio ABDE-BID são prorrogadas até 13 de setembro

Pesquisadores têm até 13 de setembro para inscrever artigos sobre financiamento ao desenvolvimento sustentável; vencedores receberão até R$ 8 mil em três categorias Professores, pesquisadores, estudantes e profissionais interessados em contribuir com o debate sobre financiamento ao desenvolvimento têm agora até 13 de setembro para se inscrever na 12ª edição do Prêmio ABDE-BID de Artigos de Desenvolvimento 2026. Promovida pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (Sistema OCB), a iniciativa teve o prazo de inscrições ampliado para incentivar a participação de pesquisadores de todo o país. Consolidado como uma das principais iniciativas voltadas à produção acadêmica sobre financiamento ao desenvolvimento no Brasil, o prêmio já recebeu 422 artigos científicos ao longo de suas 11 edições, reunindo pesquisadores de diferentes áreas e incentivando a formulação de propostas voltadas ao desenvolvimento sustentável, inclusivo e inovador. Nesta edição, os trabalhos podem ser inscritos em três categorias: Financiamento ao Desenvolvimento Sustentável, Inclusivo e Inovador; Soluções Baseadas na Natureza para Adaptação Urbana; e Sistema OCB: desenvolvimento e cooperativismo de crédito. Os artigos devem abordar a experiência brasileira, podendo incluir referências internacionais, especialmente da América Latina e do Caribe. As inscrições podem ser realizadas por autores individuais ou grupos de até quatro participantes. Os trabalhos serão avaliados por uma comissão julgadora independente, que levará em consideração critérios como relevância do tema, metodologia, resultados e qualidade da redação. Além do reconhecimento acadêmico, os vencedores receberão R$ 8 mil pelo primeiro lugar e R$ 4 mil pelo segundo lugar em cada categoria, além de certificados. Os artigos selecionados também poderão ser publicados pela ABDE, ampliando a divulgação das pesquisas. Após o encerramento das inscrições, os trabalhos passarão por avaliação. O resultado será divulgado em 6 de novembro, e a cerimônia de premiação está prevista para dezembro. Serviço Prêmio ABDE-BID de Artigos de Desenvolvimento 2026 – 12ª edição Inscrições: até 13 de setembro de 2026Premiação: dezembro de 2026Mais informações aqui.

ABDE apresenta proposta de arcabouço regulatório para fundos de financiamento

Proposta apresentada durante reunião da Mobilização Empresarial pela Inovação busca fortalecer a governança, ampliar a previsibilidade regulatória e aprimorar os instrumentos de financiamento ao desenvolvimento e à inovação O diretor-executivo da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), André Godoy, apresentou uma proposta de arcabouço regulatório para os fundos de financiamento ao desenvolvimento durante reunião do comitê de líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), realizada nesta quinta-feira (23), na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo. “O Brasil tem uma estrutura importante, relevante e robusta de fundos de financiamento, mas que necessitam, para trazer previsibilidade, continuidade e volume de recursos necessários ao desenvolvimento do Brasil, de uma previsibilidade regulatória”, afirmou o diretor-executivo. Conforme Godoy, a proposta deve robustecer o arcabouço regulatório brasileiro, ampliar a transparência e a governança dos fundos e trazer previsibilidade para os investimentos, sobretudo aqueles voltados ao financiamento do desenvolvimento e da inovação. Entre as medidas apresentadas estão a criação de um portal único para os fundos e a consolidação de auditorias externas. Além de apresentar o modelo, o representante da ABDE também defendeu a criação da Lei Complementar dos Fundos. A proposta visa regular instrumentos de natureza pública e privada, a fim de garantir que os R$ 295,4 bilhões geridos pelos fundos tenham maior eficiência, transparência e controle do que os mecanismos orçamentários convencionais.

GT de Resiliência Climática do SNF realiza primeira reunião e inicia agenda de trabalho

Coordenado pelo Banco do Brasil e pela Caixa, com secretaria executiva da ABDE, grupo vai fortalecer a resposta do SNF a eventos climáticos extremos O Grupo de Trabalho (GT) de Resiliência Climática do Sistema Nacional de Fomento (SNF) deu início, nesta quinta-feira (23), à sua agenda de trabalho com a realização da primeira reunião entre as instituições participantes. A iniciativa da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) busca fortalecer a atuação coordenada das instituições financeiras de desenvolvimento diante dos impactos dos eventos climáticos extremos, em um cenário de intensificação dos efeitos do El Niño. Coordenado pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal, com secretaria executiva da ABDE, o GT tem viabilizará uma atuação mais integrada do Sistema Nacional de Fomento no apoio a estados, municípios, empresas e produtores rurais, ampliando a capacidade de adaptação do país frente aos desafios climáticos. Para isso, o grupo atuará na organização de referências técnicas, compartilhamento de boas práticas, aperfeiçoamento de instrumentos financeiros, produção de dados e métricas comuns e formulação de propostas para enfrentar desafios regulatórios e operacionais relacionados aos eventos climáticos extremos. “O Sistema Nacional de Fomento já vem apresentando uma resposta importante à agenda climática. Ao mesmo tempo, ainda há lacunas e obstáculos que precisam ser superados para ampliar, de forma cada vez mais robusta, o financiamento à adaptação climática nas áreas urbanas e rurais do Brasil”, afirmou o diretor-executivo da ABDE, André Godoy. O diretor lembrou que a criação do GT foi motivada por uma consulta realizada pela ABDE junto às associadas e pelo cenário de maior imprevisibilidade climática, marcado pelas projeções de intensificação dos efeitos do El Niño. O levantamento identificou avanços importantes na agenda climática, mas também desafios comuns, como a necessidade de padronizar informações, aperfeiçoar a mensuração de riscos, fortalecer instrumentos de financiamento e ampliar a cooperação entre as instituições do Sistema Nacional de Fomento.