ABDE divulga levantamento sobre crédito e investimento industrial

Pesquisa aponta demanda contida e oportunidades de aprimoramento do financiamento produtivo

Nesta sexta-feira (23), a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) divulgou na íntegra a Sondagem Especial Condições de Acesso ao Crédito em 2025, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com apoio da associação. O levantamento traz um diagnóstico detalhado do ambiente de crédito enfrentado pelas empresas industriais brasileiras e, ao mesmo tempo, aponta oportunidades para fortalecer o financiamento por intermédio do Sistema Nacional de Fomento (SNF) em 2026 e nos próximos anos.

O levantamento evidencia a diminuição da perspectiva da indústria na busca por crédito em 2025. Quase metade das indústrias (49%) não buscou crédito de curto ou médio prazo, enquanto 54% deixaram de procurar financiamento de longo prazo. Para a ABDE, esse comportamento revela uma demanda contida, que pode ser revelada com a melhora do ambiente monetário, principalmente com a redução das taxas de juros.

Ainda assim, a pesquisa evidencia que, entre as empresas, 26% delas conseguiram contratar ou renovar crédito no curto e médio prazo e 17% no longo prazo, indicando que o sistema financeiro segue operante e que há espaço para ajustes que ampliem o alcance e a eficiência das operações.

No que diz respeito apenas às condições de renovação, o levantamento indica relativa estabilidade para parte relevante das empresas. Entre aquelas que renovaram crédito, 47% avaliaram que as condições permaneceram semelhantes, tanto no curto e médio prazo quanto no longo prazo. 

Um dos destaques positivos do levantamento é o peso das linhas de longo prazo no financiamento à indústria. Na sondagem, os bancos comerciais, incluindo instituições com carteira de desenvolvimento como BB e Caixa, apresentam 51% das menções nesse tipo de crédito. Em seguida, aparecem os bancos de desenvolvimento, com 30% das menções. O dado reforça a relevância de instituições como o BNDES, o Banco da Amazônia e o Banco do Nordeste como pilares do financiamento de projetos estruturantes, de modernização e de expansão da capacidade produtiva.

A pesquisa também destaca diferenças importantes por porte de empresa. As médias indústrias foram as que enfrentaram maior frustração na obtenção de crédito, sobretudo no longo prazo, com 43% de pedidos negados, ante 37% das pequenas e 27% das grandes. O dado reforça a necessidade de linhas mais aderentes ao perfil dessas empresas, um dos focos da agenda defendida pela ABDE para o fortalecimento do Sistema Nacional de Fomento.

O estudo chama atenção ainda para a baixa utilização de operações de risco sacado. Apenas 13% das empresas contrataram esse tipo de instrumento nos últimos 12 meses, enquanto 54% não utilizaram nem pretendem utilizar. Para a ABDE, o dado revela espaço para ampliar informação, padronização e aperfeiçoamento de mecanismos de financiamento de cadeia produtiva, com potencial de reduzir custos e fortalecer fornecedores, especialmente em um cenário de crédito mais cauteloso, com tendência de normalização ao longo do ciclo econômico.

“Os resultados da sondagem mostram que o crédito segue disponível, mas que a demanda está contida diante de um ambiente monetário ainda restritivo. À medida que as condições macroeconômicas avançarem, especialmente com a redução das taxas de juros, há um espaço relevante para que o Sistema Nacional de Fomento amplie seu papel no financiamento produtivo, com instrumentos mais aderentes às necessidades das empresas — em especial das médias indústrias — e foco em projetos que impulsionem investimento, modernização e crescimento sustentável”, afirma o diretor-executivo da ABDE, André Godoy.

A Sondagem Especial Condições de Acesso ao Crédito em 2025 ouviu 1.789 empresas industriais — 713 pequenas, 637 médias e 439 grandes — entre os dias 1º e 12 de agosto de 2025.