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Fórum: No quarto dia, evento debate inclusão e sustentabilidade

29 de abril de 2021 às 17:52
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O Fórum do Desenvolvimento, organizado pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), debateu nesta quinta-feira (29) as transformações na economia e política mundial, os caminhos para a recuperação sustentável pós-pandemia, inclusão social e promoção da diversidade.

O primeiro painel do dia discutiu o papel dos bancos subnacionais de desenvolvimento para impulsionar ações visando a cumprimento dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), com o tema “Implementação Agenda 2030: papel dos Bancos Subnacionais de Desenvolvimento”.

“Estamos na década de ação, nos aproximando do ano de 2030. Um estudo recente da OCDE referencia que 65% das 169 metas da ODS demandam coordenação com governos locais e regionais para serem implementados. Portanto, surge a relevância central dos bancos subnacionais e nacionais de desenvolvimento”, afirmou o presidente da ABDE e do BDMG, Sergio Gusmão Suchodolski, que participou do debate para apresentar cases do Sistema Nacional de Fomento (SNF), assim como presidentes de outras instituições financeiras de desenvolvimento ao longo do evento.

Em uma mesa redonda especial, o economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Martin Rama, e o chefe da Divisão de Política Fiscal e Supervisão, Fundo Monetário Internacional (FMI), Paulo Medas, traçaram um panorama atual da economia da região e sugeriram estratégias para os países latino-americanos saírem fortalecidos da crise.

“Esse é o momento de focar em investimento público. Primeiro as taxas de juros permanecem baixas e o setor privado ainda está deprimido, porque as empresas e pessoas estão aguardando para ver o que o futuro aguarda. O investimento público pode ajudar, há também complementariedade. Em momentos de incerteza, os efeitos multiplicadores desses mecanismos são muito significativos”, afirmou Medas, que reconhece o apuro fiscal da maioria das nações.

“Muitos países vão enfrentar desafios sérios, afetados pelas sequelas deixadas pela crise. Uma das coisas que sublinhamos em nosso relatório é que muitos países estão com problemas na limitação do espaço fiscal que podem trabalhar. É importante ter um arcabouço fiscal de médio termo que seja confiável”, disse.

Além do aumento no investimento público, Medas é a favor da implantação de políticas de assistência social para auxiliar os mais pobres e dar sobrevida às empresas. “Vimos que os governos tiveram que encontrar soluções rápidas através dos sistemas existentes. O Brasil criou novos programas que ajudaram a lidar com a pobreza, mas é importante ter essas redes de proteção social permanentes”.

Segundo o economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Martin Rama, as decisões tomadas agora em termos de crescimento, inclusão e sustentabilidade terão impacto direto nos rumos da economia latino-americana. Apesar da situação na região ainda ser extremamente delicada e longe de um horizonte confortável, Rama acredita que a crise trouxe novas oportunidades para os países do continente.

“Há muitas razões para sermos bem pessimistas em relação ao impacto da pandemia e também alguns motivos para otimismo. A perda de capital humano, crianças não vão à escola, empresas com dívidas, pessoas saindo do mercado de trabalho. Mas, pela primeira vez na América Latina, temos uma mudança estrutural forte, difícil de atingir através de políticas econômicas”.

Já o diretor de Cooperação para o Desenvolvimento da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Jorge Moreira da Silva, afirmou que “A pandemia atingiu em cheio o país, provocando uma recessão. A recuperação da pandemia é o momento chave para revigorar o crescimento através de investimentos em sustentabilidade. As oportunidades de investimento sustentáveis em infraestrutura no Brasil são abundantes”.

As outras duas mesas de discussão do dia tiveram como tema “Desenvolvimento e diversidade” e “Infraestrutura Sustentável”. Os painéis contaram com a participação de representantes do BRDE, Bandes, Banestes, AGN e Fomento Paraná, além de entidades internacionais, incluindo ONU-Mulheres, BID Investe e IFC. Os especialistas debateram medidas para a ampliação das agendas de diversidade e a mobilização de recursos privados para investimentos em projetos em áreas como energia renovável, agricultura e cidades verdes.

 Saiba como foram os três primeiros dias de debates:

Instituições Financeiras de Desenvolvimento podem liderar retomada sustentável da economia pós-Covid

Segundo dia debate a cooperação entre países para fomentar o desenvolvimento sustentável

Covid-19 reforça a necessidade de uma transição sustentável da economia

 

Futuro do desenvolvimento no Brasil

Totalmente on-line, aberto ao público e com inscrições gratuitas, o Fórum termina nesta sexta-feira (30). O tema do último dia do evento será “Futuro do Desenvolvimento no Brasil”. O objetivo é debater como as Instituições Financeiras de Desenvolvimento (IFDs) brasileiras podem responder às transições globais em curso, aos desafios colocados às políticas de desenvolvimento e discutir o reposicionamento da economia brasileira inferido pelas questões do século XXI.

Os governadores Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), João Doria (São Paulo), Romeu Zema (Minas Gerais), Wellington Dias (Piauí), Ronaldo Caiado, (Goiás) e Flávio Dino (Maranhão) participam de painel para comentar os planos e estratégias visando a recuperação e econômica e o desenvolvimento sustentável dos estados.

A programação prevê, ainda, outras duas mesas de discussão. A primeira recebe pesquisadores acadêmicos e representantes do BID, BNDES, BDMG e Banco do Nordeste para debater o tema “A economia brasileira em transição”. No encerramento do Fórum, será realizada a assinatura de um acordo de cooperação entre a ABDE e a Associação Latino-Americana de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (Alide). Faça sua inscrição pelo site: www.forumdodesenvolvimento.com.br.