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Com apoio do BID, BDMG se prepara para ser o primeiro banco público brasileiro a emitir Títulos Sustentáveis

29 de julho de 2020 às 10:09
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Com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) se prepara para ser o primeiro banco público brasileiro a emitir Títulos Sustentáveis alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU. Para isso, o BDMG acaba de publicar framework inédito no mercado brasileiro. Trata-se de um documento conceitual que visa enquadrar os projetos sociais e ambientais financiáveis no contexto dos ODS, tendo como base – no caso do BDMG – uma carteira da ordem de R$ 500 milhões.

Os Títulos Sustentáveis são papéis de dívida utilizados para financiar projetos com potencial de impacto positivo nas esferas ambiental, social, ou em ambas. A demanda do mercado doméstico e internacional por esse tipo de papéis vem aumentando recentemente, e o Brasil se destaca pelo espaço a ser explorado nesse segmento. No caso do BDMG, um dos passos finais para a emissão desses títulos acaba de ser finalizado: a construção de um framework – pela primeira vez, no Brasil, norteado pelos ODS – capaz de balizar os projetos sociais e ambientais a serem financiados. A elaboração do documento contou com a assessoria do BID e de seu Laboratório de Inovação Financeira (LAB), além da consultoria Sitawi.

“O desenvolvimento deste framework abre caminhos para o BDMG emitir títulos sustentáveis, com potencial para construir uma carteira de projetos socioambientais que ultrapassa meio bilhão de reais. Acredito que este pioneirismo do BDMG pode se tornar uma tendência cada vez maior no setor de fomento brasileiro, fortalecendo e inovando as relações com os organismos multilaterais. Há um grande apetite do mercado de crédito internacional em relação ao financiamento da economia sustentável (ESG). O setor de energias limpas e renováveis, por exemplo, é particularmente estratégico para o processo de diversificação da matriz econômica de Minas Gerais”, afirma Sergio Gusmão Suchodolski, presidente do BDMG.

Neste processo, o BDMG também obteve a certificação Second Part Opinion (SPO) pela consultoria internacional Sustainalytics, que atestou a aptidão do banco para emitir títulos sustentáveis nacionais e internacionais. Com a certificação SPO e a publicação do documento (framework), além de iniciar os preparativos para a emissão de títulos no mercado, o BDMG pretende avançar também na mensuração do impacto das operações. Para isso, também em parceria com o BID, está construindo uma calculadora que permite avaliar emissões, reduções e estoque de carbono dos projetos financiados.

O representante do BID no Brasil, Morgan Doyle, destaca a importância das finanças ambiental e socialmente responsáveis na retomada do crescimento econômico que o país – e o mundo – buscará. “Como resultado da pandemia, veremos governos, sociedade civil – e aí se inclui o mercado financeiro –,  cada vez mais preocupados com modelos de negócio que não só permitam o crescimento econômico, mas que o façam de maneira responsável. Aliar esses dois quesitos é possível, e a emissão de títulos verdes é um exemplo disso. Estamos muito felizes de poder auxiliar o BDMG nesse processo que deverá se tornar paradigma para outras ações similares no país”, diz Morgan.

Atuação do BID

O BID já apoiou cerca de 20% das emissões verdes e sustentáveis na América Latina e Caribe. Entretanto, as emissões da região representam apenas 2% do montante mundial e é necessário aumentar esta participação, especialmente o Brasil, que tem o mercado mais promissor da região.

Além das iniciativas conjuntas com foco em sustentabilidade, o BID e o BDMG pretendem aprofundar parceria para avançar em temas como PPPs (Parcerias Público-Privadas). As instituições preparam um memorando de entendimento, a ser assinado em breve, para formalizar as intenções de ampliação do leque de projetos conjuntos.

Fontes: Ascom/BDMG