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Banco da Amazônia celebra financiamento inédito para produtores de cacau

21 de janeiro de 2020 às 12:58
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Nesta terça-feira (21/01) foi realizada, no município de Tucumã (PA), a celebração de assinaturas de oito contratos de financiamentos com agricultores familiares locais, no valor de R$ 400 mil, com recursos da linha FNO-Pronaf Floresta, operacionalizada pelo Banco da Amazônia. O objetivo é a implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs), tendo o cacau como espécie principal.

De acordo com o gerente da agência do Banco da Amazônia em Tucumã, Rodrigo Silva, o município figura entre os principais produtores do estado e a ajuda por meio do financiamento à implantação de SAFs vai beneficiar os produtores rurais a diversificar a produção agropecuária regional, que ainda é muito dependente da pecuária.

Ele explica que a linha Pronaf Floresta foi ajustada para atender SAFs e é a primeira vez que o produtor rural de Tucumã vai poder obter até R$ 60 mil em financiamento, o suficiente para implantar uma produção de cacau. “Ele ainda pode ter culturas intermediárias como milho, banana, feijão, gerando receitas para o produtor, até o cacau chegar no ponto do seu desencaixe. Assim, o produtor vai ter sua fonte de receita perene”, comentou.

Rodrigo explica ainda que, para favorecer o fechamento destes contratos com produtores de cacau em Tucumã, estabeleceu-se uma parceria de instituições para que se viabilizassem os financiamentos, tais como: as organizações The Nature Conservancy (TNC) e Partiners For Forest (P4F), que já atuavam na região desde 2017 selecionando os produtores e qualificando-os para uma produção de cacau sustentável. A empresa Coordenada Rural, que elaborou os projetos, juntamente com o conhecimento da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), que auxiliou na fase de elaboração do orçamento dos projetos. Também colaboraram as demais empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) da região e a prefeitura de Tucumã, por meio da Secretaria de Agricultura.

“Acreditamos que com o acesso ao crédito para implantação de SAF’s na região ocorrerá mudanças significativas quanto ao portfólio de produtos agropecuários disponíveis, fortalecendo o cacau como mais um produto forte para movimentação da economia local”, finalizou o gerente.

Dados

O Pará está em primeiro lugar na produção de cacau do país. Segundo dados disponibilizados no site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em 2018 foram produzidos no estado 131.282 toneladas do fruto, correspondendo a 52,2% da produção brasileira. Segundo o órgão, ainda em 2018, a produção do cacau foi responsável pela geração de 304.900 empregos diretos no estado. Os números de 2019 ainda estão sendo contabilizados..

De acordo com os dados do Mapa, no sudeste do Pará, onde está localizado o município de Tucumã, há 4.111 produtores, com uma produção de 6.213 toneladas de cacau. A cidade possui 33.690 moradores; deste total, o número de pessoas ocupadas é 4.930, cerca de 12,8% do todo. Assim, o aumento da produção de cacau no município pode ser uma alternativa de trabalho e renda para a população local.

Produção familiar

O agricultor familiar Francisco Schorr, mais conhecido como “Chico Schorr”, é produtor de cacau há 34 anos e foi um dos que contraiu o financiamento com o Banco da Amazônia. Ele é gaúcho e foi para Belém em 1984. Chico obteve um primeiro financiamento junto ao banco com 3 anos de carência e 8 anos para pagamento com objetivo de produzir cacau, mas acabou quitando tudo em 5 anos.

Agora, o segundo financiamento que ele obteve com o Pronaf Floresta vai lhe beneficiar para aumentar a sua produção. Na última safra, ele produziu 22 toneladas. Com o apoio financeiro do Banco da Amazônia, ele pretende chegar a 30 toneladas.

Hoje com 68 anos de idade, Chico Schorr tem planos para o futuro. “Aumentando a minha produção, pretendo comprar um trator para trabalhar na minha terra”, comentou. Ele possui uma área de 120 hectares e emprega onze pessoas em sua propriedade.

 

Fonte: Ascom/Banco da Amazônia