BLOG

Em tempos de crise

22 de janeiro de 2021 às 12:07
Compartilhe essa notícia

Pandemia reafirma o papel das cooperativas de crédito no Sistema Financeiro Nacional, em especial, ao reforçar o pilar da cooperação para a solução de problemas. Conheça a abordagem do Sicoob diante da crise.

Um dos princípios do cooperativismo é a preocupação com a comunidade e, por consequência, o mercado no qual está inserido. Em um ano em que a pandemia do novo coronavírus transformou, entre tantos quesitos, as relações interpessoais, econômicas e financeiras em todo o país, foi necessário às instituições se apegarem às suas missões, visões e valores para passar por esses momentos de dificuldades, poucas vezes vistos na história da humanidade. Não foi diferente no caso do Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob).

Um pilar que foi reforçado e respaldou sua atuação em 2020 foi justamente a concessão de soluções aos seus mais de 5 milhões de cooperados, para que eles conseguissem atravessar a crise e, mesmo que sentissem os impactos que esse período proporcionou, estes fossem amenizados. Foi neste ano de gigantescos obstáculos que o Sicoob demonstrou que soluções e experiências financeiras inovadoras e socioeconômicas responsáveis por meio da cooperação são essenciais para uma sociedade mais justa e próspera.

Marco Aurélio Almada, diretor-presidente do Centro Cooperativo Sicoob (CCS), acredita que a chave para vencer de vez a Covid-19 será a cooperação entre pessoas, governos e países. Focada nisso, a instituição passou a tomar decisões exclusivamente voltadas para que os cooperados pudessem, mesmo com a pandemia, manter seus negócios e suas contas em dia.

Uma pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), atualizada mensalmente durante o ano, confirma que esta atuação se mostrou significativamente eficaz. Listado entre as grandes instituições financeiras do país, o Sicoob está entre as três companhias em que houve maior taxa de sucesso na obtenção de crédito por parte de donos de pequenos negócios.

Isso demonstra, segundo Almada, que o cooperativismo financeiro é uma gigantesca e sustentável alternativa para reduzir impactos de crises econômicas ao redor do mundo. “Escolhemos ficar ao lado de nossos cooperados, apoiando e acreditando que eles passariam pelos momentos de dificuldade e voltariam a crescer no pós-Covid”, destaca o executivo.

O diretor-presidente do CCS também conta que as provações pelas quais a sociedade está passando servirão como lição para mostrar a todos o valor que a união das pessoas, a cooperação e a inovação têm na superação de desafios. “Historicamente, o cooperativismo sempre demonstrou seu valor em períodos de crise. Nós sabemos que vivemos em um país que é financeiramente injusto e o cooperativismo financeiro é capaz de transformar essa situação. O nosso papel é, independentemente dos desafios que vivemos, oferecer crédito a taxas baixas e estar sempre ao lado dos nossos cooperados”, afirma.

“Historicamente, o cooperativismo sempre demonstrou seu valor em períodos de crise”

Atuação digital

Um dos caminhos que o Sicoob optou por seguir, principalmente durante o período mais rigoroso de isolamento social, foi ampliar sua atuação digital, inclusive possibilitando às cooperativas a realização de reuniões e assembleias totalmente virtuais, evitando, assim, aglomerações e risco de contágio pelo vírus. “É um legado que esse momento nos trouxe. O cooperativismo financeiro tem como característica estar presente em locais menores, mais afastados dos grandes centros financeiros do Brasil. Com a tecnologia, podemos consolidar ainda mais esse nosso propósito”, comenta o executivo.

Também neste sentido, o Sistema realizou seu primeiro Feirão de Agronegócios on-line, gerando mais de R$ 44 milhões em propostas durante o fim de julho e início de agosto. “Não poderíamos deixar que nossos cooperados produtores rurais ficassem sem as tradicionais negociações realizadas em feiras. Como a grande maioria foi suspensa ou cancelada, notamos que havia um gargalo em relação aos negócios que seriam fechados nesses eventos, o que impactaria um grande nicho do agronegócio brasileiro”, conta Raphael Silva de Santana, gerente de agronegócios do CCS.

Consolidado na oferta de crédito a taxas mais baixas, o Sicoob chegou em setembro a R$ 75 bilhões em sua carteira de crédito, um crescimento sólido e responsável de 30% com relação ao mesmo mês do ano passado. Cerca de R$ 52 bilhões foram destinados a empréstimos e títulos descontados, R$ 9 bilhões para financiamentos, R$ 18 bilhões para financiamentos rurais e agroindustriais e R$ 163 milhões para financiamentos imobiliários.

“Estamos em um ritmo de crescimento muito acelerado, cerca de 10 a 15% por ano. Nosso objetivo é conquistar um número cada vez maior de cooperados, podendo expandir, assim, a nossa atuação”, destaca Almada.

Para auxiliar ainda mais os cooperados donos de pequenos negócios, o Sicoob também atuou com as linhas subsidiadas pelo Governo Federal, como o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e o Programa Emergencial de Acesso a Crédito (Peac). No primeiro caso, foram concedidos R$ 2,7 bilhões, enquanto no segundo foram R$ 2,4 bilhões.

Diferenciais

Outro ponto a se destacar na atuação do Sicoob em 2020 foi a participação efetiva na implementação do Pix, novo sistema de pagamentos e recebimentos criado pelo Banco Central. Com a ferramenta, não é mais necessária a participação de intermediadores no pagamento de uma compra, possibilitando, assim, maior inclusão financeira no país: com o celular, os clientes podem efetivar o pagamento apenas lendo um QR Code, por exemplo. Também é possível transferir dinheiro em até 10 segundos, 24h por dia, sete dias na semana.

De acordo com Almada, o Pix faz parte de uma série de inovações que o mercado financeiro tem trazido ao cotidiano dos brasileiros. “É uma ferramenta importantíssima para a democratização financeira no Brasil”, afirma.

E para incluir o Pix de vez no cotidiano dos seus cooperados, o Sicoob isentou todas as taxas da ferramenta no período de 90 dias desde o seu lançamento. Ou seja, até pequenos e médios empresários não pagam absolutamente nada para trabalhar com o Pix. O Sicoob também oferece R$ 425 mil em prêmios para quem cadastrar sua chave ou fizer transações pelo Pix no Sistema.

Um dos grandes diferenciais do cooperativismo de crédito, segundo Almada, é que os cooperados não são apenas clientes: eles são verdadeiros donos do negócio. “A participação de cada cooperado, seja por meio de voto ou até na contratação de produtos e serviços, é essencial para o crescimento das cooperativas. No fim do ano, contabilizamos um valor, que seria o lucro de um banco, para distribuir a eles. Chamamos esse valor de ‘sobras’”, explica o executivo. Assim, devolvendo o “lucro” da instituição aos cooperados e comunidades às quais eles pertencem.

Outro pilar que é bastante reforçado no Sicoob é a educação financeira. Este ano, por exemplo, por meio das Clínicas Financeiras Virtuais, o Sistema tem levado importantes temas para os quatro cantos do país. As orientações são gratuitas, com temas relacionados à quitação de dívidas, imposto de renda, investimentos e orçamento pessoal.

“Temos uma força muito grande para o desenvolvimento social e financeiro no Brasil. Queremos crescer cada vez mais, oferecer produtos e serviços cada vez melhores, e com taxas ainda menores, para proporcionar a prosperidade em todos os locais em que estamos inseridos”, finaliza o executivo.

LEIA A EDIÇÃO DIGITAL DA RUMOS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *