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Coalizão global

21 de janeiro de 2021 às 14:22
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Encontro reúne bancos públicos de desenvolvimento de todo o mundo, que se comprometem com o cumprimento dos objetivos climáticos e de desenvolvimento estabelecidos pela ONU e pelo Acordo de Paris.

Bancos públicos de desenvolvimento de todo o mundo estiveram reunidos pela primeira vez, de forma virtual, no início de novembro, para debater o papel, as ambições, os desafios e as oportunidades dessas instituições, principalmente para conectar as respostas contracíclicas de curto prazo com as medidas de recuperação sustentável de longo prazo. O Finance in Common Summit reuniu representantes de 450 bancos, dentre eles o presidente da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) e do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Sergio Gusmão Suchodolski, que foi palestrante em um dos painéis. O Sistema Nacional de Fomento (SNF) também se fez presente por meio do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano.

Em sua participação na mesa “Financing Local Action and Resilient Cities: The Role of Subnational Development Banks”, no dia 12/11, Suchodolski falou sobre o impacto positivo das Instituições Financeiras de Desenvolvimento (IFDs) nos territórios onde estão instaladas, em especial as agências de fomento e os bancos de desenvolvimento subnacionais. A partir do exemplo do BDMG, que possui clientes em cerca de 90% dos municípios de Minas Gerais, ele destacou a importância da atuação das instituições de fomento durante a pandemia, sobretudo no apoio a micro e pequenas empresas. “Atingimos o maior volume de desembolso da história do banco, e o recurso disponível para micro e pequenas empresas mais do que quadruplicou em 2020”, pontuou.

Para o presidente da ABDE, essas instituições devem atuar como plataformas para gerar impactos positivos em seus territórios. Ele defendeu que as IFDs, após passarem por um período de questionamento, reafirmaram seu valor a partir das crises que o Brasil e o mundo experimentaram nos últimos anos. Assim, as instituições ressurgiram, mas em um modelo diferente, como “Bancos de Desenvolvimento do Século 21”, conectados às agendas globais, como a da sustentabilidade e da inovação, e com um portfólio ampliado de serviços. “O BDMG tem se posicionado como uma plataforma de desenvolvimento que fornece um conjunto abrangente de soluções, para além do crédito, como o apoio na preparação de projetos, que pode permitir a implementação de ações de acordo com as necessidades e prioridades locais”, exemplificou.

Sergio Gusmão, presidente da ABDE.

Ele destacou que o banco tem atuado para diversificar suas fontes de financiamento, por meio de parcerias com organismos multilaterais como a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF). Outra prioridade do BDMG tem sido a incorporação de novas tecnologias para aumentar a capacidade operacional da instituição, além da busca por um melhor equilíbrio entre a missão de desenvolvimento e a sustentabilidade financeira de longo prazo.

Integração

A cúpula fez parte da programação do 3º Fórum da Paz de Paris, uma iniciativa do governo francês para estabelecer um fórum global para disseminação de boas práticas, especialmente voltadas ao enfrentamento de grandes desafios, como a pandemia. Participaram chefes de Estado e lideranças dos setores público, privado e de organizações não governamentais de todo o mundo. O encontro teve como foco o financiamento público para a transição energética.

De acordo com a OCDE, os países desenvolvidos ainda estão muito aquém de seu compromisso de fornecer 100 bilhões de dólares em financiamento climático aos países em desenvolvimento e, às vezes, atuam para paralisar os países pobres nesse caminho por meio de dívidas. “Os bancos públicos de desenvolvimento não devem mais repetir os erros do passado. Eles precisam urgentemente alinhar seu financiamento aos objetivos do acordo de Paris”, afirmou Laurence Tubiana, CEO da Fundação Europeia do Clima e presidente do conselho da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), que convocou a cúpula. “Seja nacional ou multilateral, os bancos de desenvolvimento devem agora dar prioridade a projetos que acelerem a transição e se comprometerem com um calendário para a eliminação gradual, mas rápida, do apoio aos combustíveis fósseis. A cúpula é uma grande oportunidade para fazer avançar nesta agenda”.

Para o CEO da AFD, Rémy Rioux, além do apoio contracíclico, os bancos de desenvolvimento podem desempenhar um papel fundamental para garantir uma recuperação sustentável, abordando a equação do financiamento do desenvolvimento. Ele destacou a importância da adesão de todas as instituições aos princípios de financiamento sustentável alinhados com o Acordo de Paris e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. “Esta é a razão de ser da Cúpula Finance in Common, sobre a qual os bancos públicos de desenvolvimento poderiam unir forças para um maior impacto, formando uma poderosa coalizão”, afirmou Rioux, que também é presidente do International Development Finance Club (IDFC).

O presidente da ABDE também ressaltou a importância da realização do evento e do trabalho conjunto das instituições de desenvolvimento em todo o mundo. “É o início de um importante diálogo, que se espera que venha a contribuir para a construção de uma comunidade mais integrada e efetiva de bancos públicos. Todos compartilhamos o mesmo mandato ”, afirmou Suchodolski, que também já havia participado do painel “Business model: mobilizing and allocating resources in a complex and uncertain situation”, no primeiro dia dos debates, em 9 de novembro.

Ao fim da cúpula, os cerca de 450 bancos de desenvolvimento presentes, que juntos investem US$ 2,3 trilhões anualmente, cerca de 10% do total do investimento mundial, assinaram uma declaração em que se comprometem a reorientar seus investimentos e fluxos financeiros para cumprir os objetivos climáticos e de desenvolvimento estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pelo Acordo de Paris em 2015. No documento, as instituições firmam o compromisso de “reorientar suas estratégias, investimentos e atividades para contribuir com a aplicação dos objetivos de desenvolvimento sustentável e do clima”. “Pela primeira vez, contamos com uma coalizão mundial que se compromete com objetivos e normas comuns”, comemorou Rémy Rioux.

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