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Caminhos para a retomada

22 de janeiro de 2021 às 14:47
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ABDE inova com ciclo de lives para debater atuação do Sistema Nacional de Fomento (SNF) nesse momento adverso, com vistas à recuperação econômica e ao desenvolvimento sustentável no pós-crise. A Rumos apresenta um resumo dos debates. Por Maitê Rodriguez*

A pandemia da Covid-19 paralisou o mundo. O medo tomou conta da população com o surgimento de um vírus até então pouco conhecido. Por conta de seu teor altamente contagioso, uma das primeiras recomendações da Organização Mundial de Saúde foi adotar o isolamento social. A partir de então, cidades ao redor do planeta passaram a decretar o confinamento obrigatório, conhecido como lockdown. Ruas silenciosas, comércio fechado e escritórios vazios representaram o cenário da pandemia. Em consequência, rapidamente a crise sanitária foi acompanhada por um forte efeito econômico, com os mais diversos setores sendo afetados.

Meses após o primeiro caso confirmado de coronavírus no Brasil, o cenário ainda é de incertezas. Sem a expectativa de retorno ao que antes era conhecido como o “normal”, os líderes políticos e a sociedade já analisam qual a melhor maneira de retomar as atividades presenciais e reaquecer a economia nacional. Pensando nisso, no mês de julho, a ABDE criou o projeto “Caminhos da Retomada”, um ciclo de debates transmitido ao vivo com a proposta de discutir temas referentes ao desenvolvimento brasileiro e à atuação do Sistema Nacional de Fomento (SNF) nesse momento adverso, tendo em vista a recuperação econômica.

Foram realizados 13 webinares no período de quatro meses, todos com transmissão ao vivo pelo Youtube. Mais de 50 especialistas de diversas instituições participaram do ciclo, debatendo temas como turismo, micro e pequenas empresas, fintechs, saneamento, agronegócio, inovação, cooperativismo, entre outros. Juntas, as lives já somam mais de quatro mil visualizações e mais de 380 curtidas. Para o presidente da ABDE e do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Sergio Gusmão Suchodolski, o projeto cumpriu com êxito o papel de promover a discussão sobre a importância do SNF no crescimento do Brasil, destacando, principalmente, o forte desempenho das agências de fomento e bancos de desenvolvimento e cooperativos durante a crise da Covid-19.

“A crise causada pela pandemia do novo coronavírus evidenciou a necessidade de mobilizar capital para impulsionar ações visando o desenvolvimento sustentável no Brasil e no mundo. Nesse contexto, as instituições de fomento exercem função primordial para alavancar investimentos sustentáveis em áreas como energia, mobilidade urbana, saneamento e infraestrutura de modo geral. Os debates promovidos pela ABDE deixaram em evidência o papel fundamental do Sistema Nacional de Fomento e como a interlocução dessas instituições com parceiros nacionais e internacionais pode ser benéfica para a retomada da economia brasileira”, destacou.

Todas as lives podem ser acessadas na íntegra no canal oficial da ABDE no Youtube. A cobertura completa de cada evento também está disponível no site da Associação. Na sequência, a Rumos apresenta um resumo de cada um dos debates; um pequeno painel com as importantes contribuições dos diferentes especialistas nas discussões sobre o presente e o futuro da economia brasileira. Os trechos estão divididos por tema, na ordem em que as lives aconteceram.

Estratégias de mitigação

Na primeira live do ciclo de debates, os especialistas discutiram o papel fundamental das Instituições Financeiras de Desenvolvimento (IFDs) para a recuperação do país nesse período, bem como a necessidade de uma visão diferenciada que busque não apenas combater a atual crise, mas também enfrentar os problemas da economia brasileira existentes pré-coronavírus. Para Haroldo Machado, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), “a crise da Covid-19 é uma crise de resiliência, e é necessário pensar sobre os choques que podemos enfrentar num futuro próximo”.

Pequenas Empresas

Na live seguinte, os convidados abordaram o suporte fundamental do Sistema Nacional de Fomento com às micro, pequenas e médias empresas diante da crise da Covid-19, destacando que o segmento é relevante na geração de emprego e renda em todas as regiões do Brasil. Giovanni Beviláqua, analista técnico do Sebrae Nacional, comentou que “o trabalho desenvolvido pelos bancos de desenvolvimento e pelas agências de fomento tem sido extremamente importante para que passemos por esse período de pandemia de uma forma menos dolorosa do que poderia ser”. Sobre os caminhos que devem ser seguidos na retomada da economia, os especialistas afirmaram que será preciso pensar em soluções inovadoras.

Turismo

Dentro do tema da live, foram discutidos os impactos sofridos pelo turismo devido à pandemia do coronavírus e como o setor foi um dos mais afetados pela crise. Segundo Francisco Chaves, diretor de Atração de Investimentos do Ministério do Turismo, as perdas para o segumento podem ultrapassar US$ 1,2 trilhão no mundo todo em 2020. Juliana Bettini, especialista em turismo do Banco Interamericano de Desenvolvimenot (BID), afirma que a inovação é o caminho para a retomada do setor. Explorar novos segmentos da área turística, como o turismo regional, ecoturismo e turismo de aventura, podem ser soluções para a recuperação a médio e longo prazo.

Financiamento a municípios

Nesse debate, os convidados destacaram a importância da relação com prefeituras para as IFDs e comentaram como é possível financiar hospitais, escolas, pavimentação e até projetos de energia sustentável com os recursos oferecidos. Para eles, o investimento nas cidades, neste momento de crise, é também uma forma de impulsionar a economia local, ajudando na recuperação socioeconômica do país. O secretário-executivo da Frente Nacional de Prefeitos, Gilberto Perre, afirmou que os desafios históricos no financiamento municipal se agravaram durante a pandemia e lembrou que o investimento municipal constitui a maior parcela do investimento público brasileiro.

Fintechs

O quinto webinar do ciclo de debates foi marcado pelo lançamento do 1º Caderno Temático com artigos selecionados do Prêmio ABDE-BID. Os sete anos da premiação foram celebrados, ressaltando que a decisão de lançar o 1º Caderno Temático foi devido ao número expressivo de trabalhos qualificados presentes na edição passada. O vencedor da categoria sobre fintechs no Prêmio, Gustavo Alexandre Duda Mattana, da Agência de Fomento do Paraná (Fomento Paraná), comentou sobre seu artigo “O fenômeno fintech e as agências de fomento”. Os pesquisadores autores dos trabalhos selecionados para a publicação também participaram da live.

Saneamento

Na sequência, o debate sobre saneamento abordou o novo marco regulatório e as oportunidades de investimento no setor. Os participantes destacaram os inúmeros desafios ainda a ser enfrentados, como a desigualdade regional e o financiamento insuficiente. Para a gerente do departamento de Saneamento Ambiental do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Letícia Barbosa Pimentel, “investir em saneamento é investir no desenvolvimento socioeconômico do país, e na redução das desigualdades sociais e regionais”. Sobre o novo marco regulatório, Rosane Menezes, sócia da área de Infraestrutura no Madrona Advogados, afirma que é um avanço para o setor de saneamento.

Agronegócio

A live destacou esse segmento como o motor da economia brasileira. Segundo os especialistas, o segmento não foi prejudicado pela pandemia, na verdade ele foi responsável por não ter deixado o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cair mais do que o previsto. “Apesar de toda a crise, é um setor que se manteve muito estável”, comentou o diretor-presidente do BRDE e diretor da ABDE, Luiz Noronha. Os convidados também garantiram que o setor de agricultura vai desempenhar um papel muito importante na recuperação da economia pós-crise.

Inovação

No oitavo encontro do ciclo, os participantes falaram sobre a importância dos ambientes de inovação e o papel que podem desempenhar na estratégia da retomada pós-pandemia, destacando que a área é um dos principais pilares para o desenvolvimento de um país. A superintendente de Planejamento e Relacionamento Institucional da AgeRio, Tatiana Oliver, destacou que, ainda que o momento seja incerto, a inovação é extremamente relevante, e que agora “existe a necessidade de empresas identificarem os pontos de melhoria que precisam ser feitos, as oportunidades que podem ser encontradas nessa crise e novas formas de atender a sociedade para manter os negócios ativos”.

Cooperativismo

No debate sobre cooperativismo, foi destacada a importância das organizações cooperativas no atual cenário. Segundo os especialistas convidados, durante situações de crise o segmento tende a crescer. Luciano Ribeiro, superintendente do Sicoob, comentou como o cooperativismo será fundamental para a recuperação da economia pós-Covid-19: “O cooperativismo traz uma disponibilidade de recursos suficientes para dar sustentação e estabilidade para a travessia do momento de dificuldade, e na recuperação fornece os limites necessários para que o empresário se reposicione”.

Desenvolvimento sustentável

A décima live do ciclo foi marcada pelo lançamento do 2º Caderno Temático com artigos selecionados do Prêmio ABDE-BID. Os pesquisadores, cujos trabalhos estão presentes no caderno, participaram do debate comentando sobre os temas abordados nos artigos, como Títulos Verdes, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e investimentos em energia solar. Luciano Schweizer, representante do BID, também falou sobre a colaboração com a ABDE e a sua importância: “Essa parceria bem-sucedida, que está caminhando para a sua 7ª edição do Prêmio, mostra o acerto de provocarmos não só o Sistema Nacional de Fomento, mas também a sociedade de uma forma mais ampla, tentando trazer os brasileiros a pensar nos desafios do desenvolvimento do nosso país”. Os cadernos temáticos estão disponíveis no site da ABDE.

Amazônia

No webinar, os especialistas debateram o trabalho das instituições para incentivar o desenvolvimento da Amazônia, as iniciativas adotadas durante o período da atual crise e os desafios no processo de financiamento e de promoção da sustentabilidade. “Pensar na Amazônia é pensar nas pessoas, na biodiversidade e em desenvolvimento”, declarou a diretora da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará, Andrea Coelho. “O que temos visto, pela nossa experiência, é que a tríade financiamento, conexão com o mercado e desenvolvimento do negócio tem andado muito bem quando junta, dando bons resultados”, acrescentou a diretora de Desenvolvimento Institucional do Instituto Conexões Sustentáveis (Conexsus), Andrea Azevedo. O presidente do Banco da Amazônia e diretor da ABDE, Valdecir Tose, destacou as ações da instituição para estimular o desenvolvimento da Amazônia, e informou que, até o início de outubro, foram aplicados R$7,6 bilhões em recursos, quase 50% a mais em relação ao ano anterior.

Microcrédito

Com o tema sobre microcrédito, a 12ª live discutiu como os empreendedores individuais e as empresas de micro e pequeno porte têm grande importância econômica e social, mas ainda enfrentam dificuldade no acesso ao crédito. Na ocasião, o superintendente de Microfinanças do Banco do Nordeste, Antonio Jorge Guimarães, falou sobre o Crediamigo, maior programa de microcrédito produtivo e orientado do Brasil, que busca incentivar a geração de trabalho para os microempreendedores. Para Mauro Oddo Nogueira, técnico do Ipea, a atual crise reforçou a importância dos micro e pequenos empreendedores e salientou que esses agentes são a base da economia brasileira.

Organismos internacionais

Encerrando o ciclo de debates, o último webinar debateu o papel dos organismos internacionais e a sua importância no apoio ao Sistema Nacional de Fomento. Participaram representantes de diversas instituições, como o BID, a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF). Foram apresentadas as medidas adotadas por esses organismos durante o período da pandemia e a parceria constante com os bancos de desenvolvimento e as agências de fomento. Sobre a retomada pós-crise, Morgan Doyle, representante do BID no Brasil, comentou: “Contar com uma interlocução ativa e permanente entre o SNF e os organismos multilaterais vai ser essencial. Sabemos que os desafios são imensos, mas temos confiança que essa rede de cooperação sairá fortalecida e pronta para ajudar o país”.

* Estagiária, sob a supervisão da Redação.

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