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Inovação é o maior interesse de empreendedores, revela pesquisa da Desenvolve SP

15 de abril de 2019 às 10:54
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Estudo realizado pela Agência de Desenvolvimento Paulista (Desenvolve SP) mostra que 61,4% dos  empreendedores locais, que desejam ganhar novos mercados, tem como principal meta investimento em inovação.  Por outro lado, a necessidade mais urgente neste início de ano para 59,8% é de recursos para capital de giro. Neste cenário, a análise concluiu que a procura por bancos e agências de fomento deve disparar nos próximos meses, pois está é a primeira opção para 43,4% dos empreendedores em busca de crédito mais barato e de longo prazo.

A pesquisa “Investimentos e Inovação -2019”, foi feita entre os dias 4 e 12 de fevereiro, com 4.228 participantes de todo o estado de São Paulo e teve como objetivo traçar o perfil e a percepção dos empreendedores sobre inovação e necessidade de investimento.

“A pesquisa deixa claro que apesar do empresário entender a necessidade da inovação para ampliar a competitividade da sua empresa, ele ainda sofre os impactos da crise vivenciada nos últimos anos, da retração do mercado de crédito, da carga tributária e da incerteza político-econômica que ainda se desenha no País”, diz Rafael Bergamaschi, superintendente da Desenvolve SP.

Ao mesmo tempo em que a apuração evidencia gargalos que impedem um crescimento econômico mais robusto, observa Bergamaschi, ela aponta também caminhos que as instituições financeiras podem seguir para diversificar seu portfólio e atender o setor privado. “São dados importantes para entender as necessidades mais urgentes dos empresários a fim de oferecer soluções financeiras assertivas. No caso da Desenvolve SP, uma agência de fomento, a oferta de crédito não deve ser aleatória e tem como propósito o desenvolvimento econômico com foco na geração de empregos e renda”.

Confira a seguir os destaques da pesquisa.

Perfil

A Desenvolve SP realizou a pesquisa com empreendedores paulistas clientes e não clientes da instituição por meio da aplicação de um questionário de múltipla escolha. Dos 4.228 respondentes, quase metade (49%) representam empresas do setor de serviços. Na sequência aparece o comércio (32,1%), indústria (16,1%) e agronegócio (2,8%).

Em relação ao porte dos empreendimentos, os micros e pequenos negócios totalizaram 84,6%, seguidos pelas startups (8,2%), médias (6,7%) e grandes empresas (0,5%).

Percepções sobre a inovação

Chama a atenção que a maior parte dos empresários 46,6% diz estar à frente de um negócio inovador. Além disso, 14,5% dos entrevistados consideram-se muito inovadores, enquanto 31,8% à frente de um negócio tradicional. Somados os grupos ditos inovadores, temos o número bastante expressivo de 61,1%.

Em contrapartida, quando perguntados sobre o que consideram como inovação, quase 40% dos empresários entendem ser, de forma isolada, a “adoção de novas tecnologias”, ou a “criação e lançamento de produtos ou serviços revolucionários” ou “melhorias em produtos, serviços ou processos já existentes”. Para 61,7%, uma empresa inovadora, no entanto, é aquela que reúne todas essas alternativas. O que talvez, possa explicar o fato de muitos empresários não se identificarem como inovadores, apesar de, na prática, aplicarem mudanças em suas empresas.

“Muitos empreendedores ainda estão presos a uma ideia de que inovação, obrigatoriamente, precisa ser disruptiva, ou seja, que é preciso criar algo capaz de mudar os paradigmas do mercado. Entretanto é possível inovar investindo na melhoria de produtos ou processos já existentes”, explica Bergamaschi.

Gargalos e necessidades

É consenso para 69,7% dos entrevistados que “ser uma empresa inovadora é essencial” para competitividade do negócio. Por outro lado, questionados sobre as três principais dificuldades para investir em inovação, “obter novas linhas de crédito e fontes de financiamento”, “Carga tributária, impostos, legislação, burocracia” e “Incerteza sobre o futuro do Brasil” encabeçam, nesta ordem, as reclamações dos empreendedores paulistas. “Empresas que não conseguem manter a saúde financeira de suas contas, certamente não conseguirão avançar em iniciativas mais ousadas”, diz  Bergamaschi.

Vale apontar ainda que das empresas que já investiram recursos para inovação, 77,6% destacaram de seu capital próprio, 22,5 % obtiveram com bancos privados e 16,2% com bancos públicos.  Apenas 11,3% representam o somatório de outras opções disponíveis no mercado: subvenção; investidor anjo; capital semente; capital de risco e fundo de investimento.

“O empreendedor paulista ainda se mostra com pouco conhecimento no que diz respeito a buscar recursos especificamente destinados a inovar. Hoje são muitas as opções disponíveis no mercado, porém, é preciso pesquisar e estudar qual o tipo mais adequado para cada projeto, e onde bater à porta”, explica Bergamaschi.

Já quando o assunto é linha de crédito, a pesquisa mostra que ainda em 2019, 43,4% dos empresários buscarão recursos para os negócios por meio de empréstimos com “bancos e/ou agências de fomento”, 35% com “bancos de varejo” e apenas 11,3% não têm intenção de investir esse ano.

“Vemos esse dado com bons olhos, já que as instituições de fomento, como a Desenvolve SP, são capazes de operar taxas de juros e prazos para pagamento muito mais atrativos, permitindo ao pequeno e médio empreendedor investimentos planejados e mais adequados ao seu perfil”, diz Bergamaschi.

Estado Inovador

A vocação inovadora do Estado de São Paulo se confirma por meio dos financiamentos crescentes da própria Desenvolve SP.  Ao logo dos seus dez anos de atuação, a instituição firmou-se como uma das principais agências de fomento do País e também como uma referência no tema inovação para pequenas e médias empresas.  No último ano, os desembolsos destinados a projetos inovadores em todo o Estado cresceram 9%, totalizando o valor de R$ 57,7 milhões.

Essa vocação inovadora também foi refletida na pesquisa da Desenvolve SP, que apontou um número considerado animador. Entre os empresários paulistas, aproximadamente 40% dos entrevistados afirmou não investir em pesquisa e desenvolvimento (P&D), mas ter intenção de iniciar essa atividade na empresa. Além disso, mais de 21% deles possuem departamento próprio de pesquisa na empresa, ou mantém parceria com outras instituições, como universidades e centros de tecnologia.

Os números indicam um panorama positivo para o Estado, a despeito de um estudo recente (2018), elaborado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), que mostra que as empresas brasileiras ainda investem pouco em P&D, ficando a cargo do governo a maior parte desses investimentos. Enquanto que nos países desenvolvidos ocorre o oposto: é o setor privado o responsável por mais de dois terços dos projetos de P&D.

“Sabemos que São Paulo é um verdadeiro celeiro de ideias disruptivas no País, com polos de inovação que são destaque como os de São José dos Campos, Campinas e Piracicaba. Esse diferencial só é possível em função da atuação do Estado no apoio à pesquisa ao longo dos anos”, finaliza Bergamaschi.

Fonte: Desenvolve SP